Zagueiro de MOC de novo na Seleção Brasileira Sub-15, mas projeto que o revelou pede ajuda

KAUÃ DAVI saiu do "Dream Team", iniciativa social numa quadra de bairro da cidade, que hoje tem uma bola velha; e só

O zagueiro do Bahia está no México com a seleção brasileira sub-15(Fernando Torres/CBF)

UMA DAS brincadeiras que tomou conta do futebol brasileiro é a seguinte: se uma mesma coisa acontece três vezes seguidas, pode pedir música no Fantástico, programa dominical da Rede Globo. Pois bem. O jovem montes-clarense Kauã Davi já pode preparar o cardápio musical. 

O ZAGUEIRO que atualmente defende as cores do Bahia está pela terceira vez na lista do técnico Paulo Vítor Gomes para os amistosos preparatórios da Seleção Brasileira Sub-15.

DIFERENTE DAS duas primeiras vezes, que os trabalhos aconteceram na Granja Comary (RJ), o grupo se concentrou no último domingo em Garulhos (SP) e seguiu viagem para o México, onde fará dois amistosos contra a seleção mexicana, nesta quinta-feira e no sábado, no Centro de Alto Rendimento da Cidade do México.

DESDE A primeira convocação, Kauã é titular. Disputou os amistosos contra o Atlético/MG (2x1) e contra a Seleção do Chile (4x1 e 6x1). Mais uma vez, ele é o único atleta que atua no Nordeste que faz parte da lista do treinador.

DESCOBRIDOR

Nos tempos do futsal: do Dream Team, Kauã é quarto da esquerda
para a direita, com o calção número 10 (Arquivo Guinon)
SE KAUÃ hoje alcançou uma projeção internacional, visto como nome praticamente certo para as futuras convocações até a disputa do Sul-Americano de 2019, muito se deve a Agno Soares, o Guinon. Ele foi seu primeiro treinador no projeto social de futsal do Dream Team, na quadra comunitária do Bairro Major Prates.

SEGUNDO GUINON, Kauã atuou no projeto entre 2008 e 2011, como fixo, mas sempre foi “muito versátil e inteligente”, inclusive variando a função em quadra com a ala. “Pode ser que eu esteja falando isso agora porque ele está na Seleção Brasileira, mas mesmo muito novo ele já mostrava uma inteligência acima da média”, disse Guinon, em entrevista à VENETA.

O TREINADOR fez questão de se lembrar do dia que Kauã chegou ao projeto, levado pelo avô e ao lado de um primo, um ano mais velho. “Com seis anos, eu já colocava o Kauã para jogar contra os meninos mais velhos, de 10 anos, e ele fazia tudo o que eu pedia, com muita inteligência. Inclusive, ele disputou os campeonatos em categorias acima, não teve dificuldade alguma e foi campeão”.

AINDA SEGUNDO Guinon, o primeiro foco do projeto é formar cidadãos por meio do esporte, mas nada que impeça os jovens de buscar novos desafios, como fez Kauã ao migrar para o futebol de campo.

EM RECENTE entrevista ao blog, Marlon Araújo, que foi o primeiro treinador de Kauã nos campos, confirmou essa versatilidade do jovem, que começou como lateral no Cassimiro de Abreu e depois foi para a zaga.

E HOJE?

O TIME que revelou o atleta de seleção brasileira viveu tempos de ouro, com a conquista de títulos da base do futsal nas principais competições da cidade entre 2008 e 2011, principalmente, mas hoje pede ajuda. Guinon, que está à frente desde 2003, reforça que o projeto é totalmente beneficente e atende crianças e jovens carentes, como alternativa para afastá-los dos riscos. "Muitos tiveram boas oportunidades por meio do esporte, com bolsas de estudo, tiveram boa oportunidade no próprio esporte; outros têm hoje uma boa profissão".

APÓS SOFRER um grave acidente de carro na BR-135, com internação e até o risco de amputar o braço, Guinon se afastou duas vezes por projeto, o que coincidiu com o fim de alguma das principais competições da cidade. Voltou a pedido da garotada.

EM TOM de desabafo, o treinador confessa que tem apenas uma “bola velha” para atender a escolinha de meninos entre 8 e 10 anos e a “pelada dos mais velhos”, de 15 a 17 anos. “A bola soltou o couro todinho, perdeu a forma. Tentei fazer uma vaquinha com os próprios atletas para comprar uma nova, mas poucos podem ajudar; consegui apenas dez reais”.

2 comentários

Aurélio Vidal disse...

Eu ( Aurelio Vidal) conheço bem o belo trabalho do Guinon.totalmente independente e com muitas dificuldades. Aproveito a opirrunidade e peço aos amigos empresários do Grande Major Prates para buscar ajudar este importante projeto.

Aurélio Vidal disse...

Eu ( Aurelio Vidal) conheço bem o belo trabalho do Guinon.totalmente independente e com muitas dificuldades. Aproveito a opirrunidade e peço aos amigos empresários do Grande Major Prates para buscar ajudar este importante projeto.