Mesa vê MOC Vôlei como oportunidade de vencer no Brasil

ELOGIADO PELO técnico, central cubano faz planos de sucesso nesta temporada, sonha com as filhas mais próximas e fala da rotina com os amigos Leal e Simon

A admiração mundial pelo voleibol cubano vai além da qualidade dos atletas que a ilha formou ao longo dos anos. Claro que passa pela combinação quase perfeita de técnica e força física que os jogadores mostram, mas especialmente, pela abnegação que passam para tornar profissionais fora do País.

Um dos reforços estrangeiros do novo Montes Claros Vôlei, Isbel Mesa, de 26 anos e 2,02 metros, se enquadra nestes perfis. Formado no La Habana, um dos clubes mais tradicionais em Cuba e com passagens pela seleção do país em todas as categorias, precisou passar pela provação de ficar dois anos sem disputar uma única partida de vôlei para ganhar a autorização de jogar profissionalmente fora da ilha.


Isbel Mesa é o quarto estrangeiro na história do MOC Vôlei, mas o primeiro cubano (Veneta)
A regra é geral e tantos outros conterrâneos como os conhecidos Bisset, Leal e Simon, outros cubanos que também atuam em Minas, seguiram a mesma cartilha. Aliás, os “hermanos” ajudam a diminuir a saudade de casa e sempre que podem conversam pelas redes sociais ou em vídeos sobre o voleibol e a vida social nas quadras e terras brasileiras.

Elogiado nominalmente pelo técnico Chico dos Santos como “um dos atletas com qualidade para jogar em qualquer lugar do mundo”, Mesa, que fez questão de cravar de como é a pronúncia original do seu nome [no espanhol, um “s” soa como se fossem dois], conversou com a VENETA na semana passada, logo nos primeiros dias após chegar à cidade. Em português razoável, já que está no Brasil desde o final de 2015 e atuou pelo Taubaté na última temporada, espera ser uma das peças-chave no time. Confira!

VENETA – Enfim, o Montes Claros tem o seu primeiro atleta cubano. Você recebeu outra proposta além do MOC?
MESA – “Estou vindo do Taubaté, mas aqui no Brasil só recebi mesmo esta proposta do Montes Claros”.

VENETA – Na Superliga passada, você foi relacionado para praticamente todos os jogos do Taubaté, que acabou como vice-campeão brasileiro. No entanto, o técnico Cézar Douglas o utilizou somente em nove jogos. O que aconteceu?
MESA – “O nosso grupo tinha dois centrais excelentes: Éder, que foi campeão olímpico, e o Otávio, que também faz parte da Seleção Brasileira. Então, posso dizer que já era uma rede bem fortalecida. E como eles fizeram uma temporada muito boa, em alto nível, acabei entrando mesmo para quebrar o ritmo do adversário em um ou outro jogo”.

VENETA – Nada a ver então com dificuldade de adaptação...
MESA – “Não. Nenhum problema”.


Central foi a Cuba para rever as filhas (arquivo pessoal)
VENETA – Cuba tem uma das melhores escolas de jogadores que atuam na sua função. Diria até que os melhores saltadores do vôlei mundial são cubanos. Mesmo assim não deu para fazer sombra aos companheiros de Taubaté?
MESA – “Eles vinham de uma regularidade maior, antes mesmo da Superliga. Disputaram o Campeonato Paulista, mostraram entrosamento e foram bem, assim como na Superliga como vice-campeões. Ao longo da campanha, eles se sobressaíram dentro do time. Acho que seria uma troca injusta; sacar algum deles para que eu entrasse, mas nas vezes em que pude jogar dei o máximo do que eu poderia fazer”.

VENETA – Aqui em Minas há outros três cubanos que jogam em alto nível. Um deles é o Simon, multicampeão com o Sada/Cruzeiro. Ele será o adversário do MOC na estreia do Mineiro. Algo especial neste encontro?
MESA – “Não diria especial, mas sei que vamos ter que jogar muito. O que eu posso falar é que vamos jogar em alto nível para realizar um bom jogo”.

VENETA – Todos estão longe de casa. Como é esta relação de conterrâneos longe de casa?
MESA – “A gente se fala sempre que possível; com o Leal e com o Simon, principalmente. Acho que, diante desta nossa realidade, nos vemos como uma família cubana fora de casa”.

VENETA – E o assunto?
MESA – “Claro que o vôlei predomina. A gente fala sobre os treinos e sobre os jogos, mas principalmente sobre o nosso dia a dia aqui no Brasil; uma cultura diferente”.

VENETA – Você foi um dos últimos a se apresentar ao técnico Chico dos Santos porque estava em Cuba. Alguma questão burocrática?
MESA – “Sim... Realmente estive em Cuba, mas a primeira intenção era de rever a minha família, principalmente passear com as minhas filhas. Mas tive também que cuidar de uma questão de trabalho, que é pegar o visto que me autoriza a trabalhar mais uma vez no Brasil”.

VENETA – São quantas filhas? De repente, elas também poderiam vir também morar no Brasil?
MESA – “Tenho duas meninas, uma de cinco e outra de três anos. Mas para mudar para o Brasil, o papai aqui [risos] vai ter que estar bem financeiramente. A minha intenção é trazê-las primeiro no período de férias, para que conheçam o Brasil e depois voltem para Cuba”.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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