Começa a "Era Chico dos Santos", com a promessa de briga por títulos

TÉCNICO CONSIDERA o projeto local "com o esforço diferenciado em relação a outros centros", vê grande competitividade na temporada e comenta sobre a habilidade que terá para conviver com outros geniosos do elenco do MOC Vôlei


Chico dos Santos em sua primeira coletiva à frente do Montes Claros Vôlei (fotos: De Veneta)
A “ERA Chico dos Santos” definitivamente começou no Montes Claros Vôlei. Trabalhando há doze dias no comando do time norte-mineiro, José Francisco dos Santos, 57 anos, que nasceu em Minas Gerais mas se radicou em São Paulo, faz questão de acompanhar toda a agenda de treinos dos atletas, mesmo numa simples rotina de trabalhos em academia.

É ENFÁTICO ao dizer que não quer perder tempo; vai compensar a apresentação tardia em relação a alguns dos principais rivais na temporada e crava que, entre 2017/2018, o Brasil terá as competições mais equilibradas dos últimos tempos. Terá como fiel escudeiro o auxiliar Sérgio Cunha, de 40 anos e com passagens pelo Sesi/SP e voleibol do Oriente Médio.


“SÃO NADA menos que oito times com reais condições de ganhar algum título e nós estamos neste meio”, disse na primeira coletiva realizada pelo clube, na tarde dessa terça-feira, no Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves. 

PARCEIRO DE Bernardinho por mais de uma década como auxiliar nas seleções feminina e masculina, com títulos em tudo (oito ligas mundiais, três mundiais e o ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004), Chico deixa a impressão de que a sinceridade explícita é outra marca da convivência com o amigo multicampeão.

EMBORA TENHA sido, literalmente, o último a chegar, com nenhum palpite sobre a montagem do elenco (o grupo já estava todo contratado), o novo comandante do MOC Vôlei revela que, “com o orçamento que o clube tem em mãos” e com a disponibilidade de mercado “faria praticamente as mesmas contratações” que encontrou quando chegou à cidade, no último dia 30.

E SOBRE o jeito impulsivo que reconhece ter, assim como dos agora comandados Lorena e Sandro, por exemplo, garante que essa energia vai ser canalizada em quadra. Aliás, antecipou á VENETA que Sandro será o capitão da nova versão do Montes Claros.

CONFIRA A conversa do treinador com a VENETA

VENETA – Por quase dois meses, o Montes Claros buscou um técnico. Foram pelo menos seis nomes ventilados antes de oficializar sua contratação. Você foi procurado mais recentemente e revelou na coletiva que aceitou o convite de imediato, a dois dias da apresentação.  Já sabia o que encontraria por aqui?

CHICO DOS SANTOS – “Sou um técnico que trabalhei pelo mundo afora e a gente sabe detectar oportunidades. Depois que saí da seleção de Portugal, estava parado há mais ou menos um ano e doido para voltar à ativa. Fiquei muito contente porque o projeto de Montes Claros já acontece há vários anos, com bons resultados e um grande potencial para chegar mais adiante. Vou tentar dar um passo a mais neste projeto, que é chegar ao segundo play-off na Superliga. Com um ajuste ou outro, a estrutura que encontrei aqui não fica a dever para nenhum lugar por onde trabalhei”.

VENETA – Qual é o diferencial em atitude para quem, como você, chega para comandar um grupo em que nenhum dos atletas teve a sua indicação?

CHICO – “Se eu estivesse aqui desde o início e com este orçamento que o Andrey [Souza, gestor do Montes Claros] tem, eu montaria praticamente o mesmo time. Os jogadores foram muito bem escolhidos. A condição financeira não é grande e a gente conta com um Mesa e um Zanotti, que são de suas seleções nacionais, além do Alan e do Sandro, que são atletas de ponta. Acho que a gestão teve um desgaste muito grande até fechar este grupo. Além desses que citei, coloco o Lorena entre os atletas que o Montes Claros tem e que certamente têm nível técnico para jogar em qualquer equipe do mundo”.


Sérgio Cunha (direita), com um trabalho de seis anos na categoria de base do Sesi, é o auxiliar de Chico dos Santos 
VENETA – Fisicamente, como foi que encontrou o grupo?

CHICO – “Acho que o Gabriel [Azzi, preparador físico] pode falar com maior propriedade. É da área dele (risos), mas acompanhando esta sequência dos primeiros trabalhos e por se tratar de um início de temporada com cada um se apresentando à sua maneira, vejo o perfil bem satisfatório; diria excelente. Por enquanto, estamos fazendo areia pela manhã e quadra à tarde. Na semana que vem, vamos entrar com a parte que exige mais, especialmente nos saltos: com bloqueio e saque”.

VENETA – De 2009 para cá, em apenas uma temporada a cidade não teve uma equipe. Nestes anos anteriores você chegou a ser sondado para vir trabalhar em Montes Claros?

CHICO – “Diria que sim, embora tenham sido comentários no próprio meio. Me falaram algumas vezes que, há alguns anos, pensaram em trazer o Chico [fala do próprio nome na terceira pessoa], mas nunca ninguém me ligou. Mas se tivessem me procurado, eu viria com certeza porque o Montes Claros desperta a torcida de quem vive no meio; é um trabalho bonito, de um esforço diferenciado em relação a outros centros”.


VENETA – Você trabalhou por mais de uma década ao lado do Bernardinho e acredito que, para uma convivência quase que diária é preciso ter personalidade e diria até pulso firme para confrontar opiniões. Agora, aqui no elenco do Montes Claros, você vai encontrar com jogadores que também são de personalidades marcantes, diria até impulsivos como o Lorena, Sandro e o Alan. Como vai ser conciliar isto no dia a dia?

CHICO – “Vejo com tranqüilidade e naturalidade, até mesmo porque cada um age conforme suas características e individualidades. Há jogador que tem o autocontrole, outros são mais expansivos e não têm este controle. Nos treinos e nos jogos, vamos trabalhar essa energia ao nosso favor. A ideia e fazer campeões aqui e todo mundo vai ter que se dedicar em tudo para chegar lá, seja como for”.


Preparador Gabriel Azzi, gestor Andrey Souza, Chico
dos Santos e auxiliar Sérgio Cunha durante coletiva
VENETA – O primeiro jogo oficial será no Mineiro, dia 26 de agosto, contra o Cruzeiro. Para o time chegar afiado, qual é o seu planejamento de trabalho?

CHICO – “Este jogo pelo Mineiro está muito longe. A ideia agora é focar por completo em nossa equipe; todo trabalho de agora, eu, o Sérgio [Cunha, auxiliar] e o Gabriel [Azzi, preparador físico] está concentrado na preparação do grupo e só vou mesmo focar no adversário restando uma semana para o jogo. Tem muita coisa ainda pra fazer: parte física, tática, entrosamento, fundamento, sincronia... Mas claro que teremos amistosos”.

VENETA – Você é mineiro de nascimento, mas radicado em São Paulo, onde tudo começou no vôlei. Fale um pouco de sua carreira e se esta chegada ao interior de Minas seria uma releitura ao início da carreira no interior paulista?

CHICO – “Nasci em Lavras, mas me mudei para São Paulo, ainda criança, com seis anos. Comecei com o vôlei feminino em Piracicaba, aos 24 anos, quando me transferi para a equipe do Santos. De lá, fui para a IAP e logo depois para a Recreativa de Ribeirão Preto, onde fui campeão sul-americano (94), brasileiro (94) e o paulista. De lá, minha primeira experiência por aqui no Estado, no Minas Tênis Clube. Depois, fui trabalhar na Espanha e na Seleção Peruana. Já no vôlei masculino, além de todo este tempo na Seleção Brasileira, com um currículo multivitorioso, trabalhei com o Panathinaikos, da Grécia, e no Brasil com o Suzano. Sobre estar no interior, como disse anteriormente, as boas oportunidades são bem-vindas e confesso que aceitei ao convite imediatamente".

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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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