Montes-clarenses no topo da Bahia e com sobras

FORMADA HÁ um ano, dupla com José Luiz Franco e Éder Wesley vence o Suba 100, desafio de 100 milhas nas montanhas baianas e aumentam repertório de bons resultados para encarar o Brasil Ride


Éder Wesley de Oliveira e José Luiz Franco: formada há um ano, dupla já tem 5 títulos e uma prata (Foto: Suba 100)
OS MONTES-CLARENSES José Luiz Oliveira Franco e Éder Wesley Oliveira conquistaram o título na categoria Profissional de uma das mais difíceis provas do interior do Brasil no Mountain Bike. Após dois dias de prova, com mais de sete horas e meia de pedal, a dupla levantou a taça do Challenge “Suba 100”, realizado no último fim de semana, em Santa Terezinha, na Bahia.

O DESAFIO, que neste ano passou de 100 quilômetros para 100 milhas (167 KM), combina uma série de adversidades, a começar pela altimetria, que variou entre 1,3 mil e dois mil metros acumulados, além do calor, vento lateral, trilhas de pedra e canyons. A região é conhecida mundialmente pelos inselbergs, grandes formações rochosas – e irregulares.

NA SOMATÓRIA dos dois dias de prova, o tempo registrado por José Luiz e Éder foi de 7h36’22’’, quase vinte minutos a menos que a dupla segunda colocada Marcus Vinícius Ferreira/William Almeida e que, curiosamente, são mais familiarizados com o roteiro, já que são da mesma cidade onde a prova é realizada. Entre todas as categorias, foram 600 inscritos.

GRANDE INCENTIVO


Éder considera o Suba 100 como a prova mais dura para a dupla
À VENETA, os montes-clarenses reconheceram o título como um grande incentivo na preparação que encaram para uma verdadeira prova de fogo, justamente na Bahia. “Sempre que possível, vamos estar nas maiores provas de Minas e dos estados mais próximos para uma preparação bem mais apurada para o Brasil Ride”, disse José Luiz. Ele se refere à Ultramaratona, entre 15 e 21 de outubro, na região de Porto Seguro, e que está entre os maiores eventos do gênero no mundo. O limite é de 500 inscrições e o critério para entrar é justamente técnico.

JÁ ÉDER, que fez menção “à prova mais puxada dos últimos anos”, lembrou-se do histórico bem sucedido da dupla, formada há quase um ano. “Percebemos que o nosso rendimento era muito competitivo e bem equilibrado. Ao invés de um competir com o outro, resolvemos juntar as forças e criar este projeto da dupla. E de um ano pra cá, a série de bons resultados é muito expressiva”. Só neste ano, eles venceram as maratonas de Patos de Minas e de Mariana e ainda foram vices-campeões na Copa Sertão Diamante. No ano passado, Éder e José Luiz foram campeões da etapa Congonhas do Campo da Copa Internacional.

“A ULTRAMARATONA do Brasil Ride é a nossa grande meta. Nestas outras provas, estamos trabalhando com este foco para conhecer os nossos limites e estabelecer as estratégias, mesmo nos conhecendo muito bem, para chegar lá (Brasil Ride) com bagagem para fazer um trabalho bem feito por lá”, completou Éder, que acredita que os bons resultados ajudam no marketing pessoal na busca por parceiros e patrocinadores.


Pódio final na Bahia; meta é chegar à Ultramaratona Brasil Ride, considerada uma das mais duras do mundo
JOSÉ LUIZ reconheceu que a disputa em dupla exige mais cuidados. “O regulamento é claro: nas questões mecânicas, por exemplo, os ciclistas podem ajudar entre si, mas devem manter o mesmo ritmo. Se um abrir demais do outro, podem ser eliminados. Resumindo: você não depende apenas de si e um precisa alinhar ao outro para dar conta de chegar ao final”.

DIFÍCIL

E SOBRE o grau de dificuldade, Franco completou: “A prova é muito dura, sem exagero algum. Senti muito no primeiro dia. Além de estabelecer um ritmo forte para a dupla, havia o nível de inclinação e a quantidade das subidas. Muitas. No segundo dia, além de tudo isso, tivemos um problema com o pneu do Éder. Mesmo furado, ele conseguiu cumprir os 35 KM finais e terminamos sem precisar parar para consertar. Se isso acontecesse, poderia ter custado a vitória”, disse.


José durante trecho plano da prova em Santa Terezinha; ao fundo
o Inselberg, o que dá dimensão da altimetria exagerada na provas
O PARCEIRO Éder Wesley completou: “uma prova que realmente, desde quando estamos correndo em dupla, foi a mais dura até aqui. Superou até mesmo o Iron Biker, que é a prova mais conhecida do País, e o Sertão Diamante, que sempre teve um nível técnico muito alto. A altimetria do primeiro dia exigiu muito, até porque largamos no fundo do pelotão e tivemos que fazer muita força para compensar. Isso aumentou o desgaste, mas aí conseguimos fechar o primeiro dia como líderes. A camisa de líder, no segundo dia, nos colocou na primeira fila e isso aliviou. O trabalho foi forte, mas o pedal fluiu e conseguimos manter um ritmo redondo. Os dois andaram bem, diferente de outras provas, quando um estava melhor do que o outro. E o resultado foi este”.

COMO FOI

PÉRICLES MAIA é um dos organizadores do Suba 100, responsável pela marcação de percurso e registros de foto e vídeos. Ele conversou com o blog sobre a prova deste ano, que reuniu 600 competidores. “O desafio agora em 2017 foi maior porque ampliamos a prova. Até o ano passado, eram 100 quilômetros, com apenas um dia de prova. Mas como acontecia em setembro, houve alguns atropelos com a chuva. Optamos, agora, em transferir para o período seco e com dois dias, ampliando a distância para 167 quilômetros, o que equivale a 100 milhas”, explicou.

AINDA SEGUNDO o organizador, os aspectos naturais fazem de Santa Terezinha uma das referências para o esporte radical, como voo livre e escaladas. Diante do relevo acidentado e das trilhas praticamente naturais, a chegada do Mountain Bike à cidade era questão de tempo. “A região é de Mata Atlântica oferece uma série de obstáculos naturais e diversificados, como a Serra da Jibóia e os Inselbergs”, resumiu.

O SUBA 100 vencido por José Luiz e Éder Wesley teve, no primeiro dia, nada menos que 2,3 mil de altimetria acumulada ao longo de 62 KM, com “muita subida e descida táticas e trecho de pedras”, uma parte que exige mais técnica. No segundo dia, foram 102 KM em percurso de estradão – planos –, misturado com trilhas e subidas bem exigentes, como a “Rolling Stones e Casca de Banana, uma formação de arenito dentro um canyon e que escorrega bastante”.

PÉRICLES ENTENDE que, após esta terceira edição, o Suba 100 se consolidou no cenário nacional de tal forma que alcançou um prestígio parecido ao do Iron Biker, que acontece há vários anos em Mariana/MG. “A projeção para o ano que vem é de 800 inscritos, mas dependemos de outros pontos para cravar este número, a começar pela estrutura de recepção dos competidores”, finalizou Maia.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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