Com treino de luxo, estreia internacional foi para dar rodagem

NO PRIMEIRO jogo oficial contra estrangeiros, Montes Claros usa reservas para vencer o amador Bohemios; Marcelinho revela que poupar atletas estava nos planos há mais tempo



A ESTREIA do Montes Claros Vôlei no Campeonato Sul-Americano Masculino de Clubes, primeira competição internacional em sua história, foi um treino de luxo. Contra o inofensivo Bohemios, time amador no Uruguai, os anfitriões fizeram 3 a 0, parciais de 25/15, 25/9 e 25/21. Sem maiores exigências, o técnico Marcelinho Ramos aproveitou que alguns de seus principais jogadores estão se recuperando fisicamente e lançou à quadra uma equipe reserva.

TALVEZ PELA falta de tradição do adversário, o público não correspondeu à média de público que o Montes Claros tem em casa na Superliga Nacional 2016/2017. O Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves recebeu menos de 2 mil pessoas no confronto de encerramento da rodada tripla, que teve antes UPCN 3-0 San Martin e Bolívar 3-0 Unilever Peru.

O POUCO ritmo de jogo dos reservas foi complicação somente no terceiro set, o que tirou do sério o técnico Marcelinho Ramos, ao ponto de pedir tempo técnico quando os uruguaios venciam por 15-13. De resto, nada a acrescentar sobre a falta de poderio dos uruguaios. 

“O MONTES Claros joga muito bem pelos lados de quadra e sabe explorar muito bem a sua potência física. No terceiro set conseguimos recepcionar melhor e dar certo trabalho ao Montes Claros”, analisou Álvaro Petrocelli, treinador do Bohemios. Ele reiterou sobre o amadorismo do time: “o vôlei é o quarto esporte mais popular em nosso país, embora tenhamos uma liga longa, entre março e nivembro, com oito times.. Não conseguimos evoluir como Brasil e Argentina, até porque falta de material humano. As pessoas mais altas, por exemplo, preferem jogar basquete: mais popular e que paga salários melhores”.

FALA MARCELINHO

PARA O comandante do MOC Vôlei, a escalação alternativa não comprometeu o estilo de jogo, embora alguns atletas deixassem evidente que sentiram a falta de ritmo, como o oposto Wanderson e o líbero Kachel. “Mesmo com a diferença de realidade, não faltou respeito, o que é mais importante”.

“NA CAMPANHA recente da Superliga fomos atrapalhados um pouco por causa da série de lesões, mas a regularidade tática que a gente consegue manter esta justamente na condição que temos de um grupo homogêneo”, disse. A escalação dos reservas já estava programada bem antes do início da competição, para dar maior tempo de recuperação a jogadores como Salsa, Robinho, Luan e Gian.

“NOSSA IDEIA é colocar em quadra todos aqueles que estiverem 100% em quadra. Seria incoerente de minha parte cobrar ao máximo em um treino, o jogador acertar a mão e deixá-lo de lado no jogo”, justificou sobre o excesso de modificações. Sobre o terceiro set, no qual o Montes Claros permitiu ao Bohemios crescer, ele entende como um relaxamento natural, diante de uma circunstâncias de jogo de disparidade técnica.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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