Noite de erros e eliminação

FALTOU EQUILÍBRIO nos fundamentos e o Montes Claros perde a chance de brigar pelo título da Copa Banco do Brasil; reunião vira pacto por reação
Jonatas foi um dos regulares pelo lado do Montes Claros, mas a maioria não o acompanhou (fotos: Fredson Souza)
COM DIFICULDADES para encaixar o saque, falhas na recepção e baixo rendimento na defesa na maior parte do jogo, o Montes Claros perdeu a chance de brigar pelo primeiro título nacional da temporada, ao ser derrotado pelo Funvic/Taubaté, nessa terça à noite, no jogo pela 1ª fase da Copa Banco do Brasil de Vôlei. O time paulista venceu por três sets a um no Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves, parciais de 25-17, 19-25, 25-15 e 25-21, e classificou-se para as semifinais, no dia 19, em Campinas.

O FOCO do Montes Claros passa a ser, agora, a Superliga Nacional, que já tem jogo neste sábado. Faz o clássico estadual contra o Minas Tênis, em Belo Horizonte, pela segunda rodada do returno. No turno, vitória montes-clarense por 3 a 1.

APÓS O duelo mineiro, haverá quase duas semanas de folga na tabela, já que a Superliga será paralisada para a decisão da Copa Banco do Brasil, entre os dias 19 e 21/1. O Pequi Atômico volta a quadra no dia 28, em casa, contra o Bento Vôlei. Além da Superliga, o time brigará pela taça do Campeonato Sul-americano de Clubes, do qual será anfitrião entre os dias 19 e 25 de fevereiro, como a VENETA antecipou.

AO FINAL do jogo contra o Taubaté, diretoria, jogadores e comissão se reuniram a portas fechadas. O blog apurou que não houve “lavagem de roupa suja”. O tempo de reunião foi curto - três minutos -, mas o suficiente dar uma "balançada" no grupo.  Foi estabelecido um pacto para a reação a partir de sábado, já que depois da pausa no calendário, o time acumula duas derrotas. Foi superado pelo Canoas na abertura do returno, sábado passado (2-3), e caiu duas posições na tabela de pontos.

SETS

O PRIMEIRO set foi todo paulista. O Taubaté chegou a abrir 4 pontos de vantagem e na primeira parte ampliou a vantagem (10-5). Além da dificuldade no saque e nos passes “A” e “B” para atacar, o MOC perdeu o central Salsa logo no início, com uma torção do tornozelo direito após cair em cima do pé de um companheiro. Rafael e Diannini foram os substitutos.
Ginásio recebeu cerca de 3 mil pessoas para o jogo eliminatório
COM CINCO pontos de desvantagem (7-12), Marcelinho Ramos pediu tempo, o que se repetiu mais adiante (11-17). Logo em seguida, mudou os levantadores (Radke por Índio). Nem os aces de Jonatas (14-18) e Luan (17-23) amenizaram a diferença pró-paulistas. Antes disso, o time havia errado 10 saques – na rede ou para fora.

NO SET seguinte, a reação aconteceu, especialmente com a recuperação no saque. Nem mesmo um erro grave da arbitragem ao validar uma bola para fora do Taubaté tirou a estabilidade dos montes-clarenses. Jonatas e Bob no ataque e o líbero Gian na defesa/recepção ditaram o ritmo do time, que soube aproveitar os contra-ataques e, ainda, explorar o bloqueio. Com um ace de Bob (23-16), Cezar Douglas ainda pediu tempo, mas em vão, mas o set já tinha dono.

O FILME visto no início se repetiu nos outros dois sets. O Taubaté abriu uma vantagem de cinco pontos no terceiro set (11-6) e foi ampliado em cima dos erros do Montes Claros (8-15 e 9-16). Com quase 10 pontos atrás, Marcelinho voltou a pedir tempo (13-21), mas especialmente o bloqueio paulista não deixou o MOC alcançar uma parcial mais alta.

O QUARTO set foi ponto a ponto (4-4 e 11-11). O Taubaté chegou a abrir 3 pontos (16-13), mas com Jonatas no saque, o Montes Claros reagiu e empatou (16-16). Manteve o equilíbrio até a reta final (21-21), mas a entrada do medalhista olímpico Éder no saque quebrou a defesa norte-mineira. Sozinho, ele decidiu o jogo, com dois aces e um ataque numa rápida do meio de campo.


Wallace revela que calor mais forte que o normal
DESTAQUE PELO lado do Taubaté, o oposto Wallace, outro campeão olímpico, minimizou os erros do Montes Claros e preferiu considerar que o adversário valorizou a vitória. “Jogar aqui é bem complicado. Teve o calor acima da média e a pressão da torcida, que sabe fazer muito bem o papel dela. Nesta temporada, o Montes Claros vem com um time redondo, mas a gente que não poderia se dar ao luxo de ter que jogar mais ou menos, como foi no segundo set. A regularidade que conseguimos manter nos outros sets é que fez a diferença”, analisou o atleta.

PELO MONTES Claros, o líbero Gian reconheceu que o time sentiu a queda do rendimento no saque e, por isso, saiu atrás em praticamente todos os sets. “Contra um time como este, a gente tem mesmo que forçar o saque, mas tivemos dificuldades. A gente tem números muitos bons de bloqueio e defesa nesta temporada e poderíamos ter equilibrado na maior parte do tempo. Sair atrás no placar e ter que buscar o resultado é complicado, ainda contra uma equipe que dispensa comentários”, analisou.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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