Broca quer Cassimiro no novo gramado do João Rebello

ÚLTIMO DUELO da maior rivalidade de Montes Claros foi em 1998, vencido pelo Ateneu; visita do presidente de honra do "Mais Querido" pesou para a ideia

ERA NOVEMBRO de 1998. Uma semana antes, no Estádio José Maria Melo, houve empate sem gols. Sete dias depois, no Estádio João Rebello, com um gol do defensor Nilsão, após um bate rebate dentro da área, o Broca fez um a zero e garantiu o título do Campeonato Norte-Mineiro de Clubes daquele ano. Foi uma revanche de mais de 30 anos, já que em 1965, o “Mais Querido” havia conquistado o Regional em cima do alvinegro do Bairro São José.


José Maria Melo, presidente de honra do Cassimiro de Abreu (reprodução: Nairlan Clayton)
A PEQUENA narrativa acima é o resumo do último confronto que aconteceu entre os times principais de Ateneu e Cassimiro de Abreu. O hiato de quase duas décadas de lá pra cá parece uma eternidade. Como os dois maiores rivais de toda a história do futebol de Montes Claros podem ficar tanto tempo sem se enfrentarem?

UM ESBOÇO de resposta parece vir do lado atenense, especialmente depois do sábado (15), quando o Estádio João Rebello foi reaberto após 15 anos para mostrar os primeiros sintomas da reforma iniciada em dezembro último: alambrado, limpeza, pintura de arquibancada e recuperação elétrica e hidráulica.
O CAMPO ainda é de terra, mas está limpo, sem o mato que predominou por uma década e meia. E quando estiver gramado poderá receber, como grande jogo de abertura, quem sabe o clássico Ateneu x Cassimiro.

PROVOCAÇÃO ACEITA

PROVOCADO NUMA pergunta da VENETA para reviver o “maior duelo de todos os tempos”, Cássio Aquino, presidente do Ateneu, topou a ideia e a vê como, de estalo, uma forma de agradecimento à visita que recebeu nesta reabertura: José Maria Melo, presidente de honra do Cassimiro de Abreu e quem empresta o seu nome ao estádio do rival, no Bairro Todos os Santos, fez questão de prestigiar o chute inicial desta nova fase do Estádio João Rebello.

“RECEBER O presidente do rival mostra o tamanho do respeito entre as instituições. A rivalidade é uma questão tratada apenas em campo; fora dele, somos amigos e parceiros”, resume Cássio. Ao falar sobre a volta do clássico, emendou: “eu quero fazer isto sim. Sinceramente, eu não esperava uma repercussão tão positiva como foi a reabertura”.

JOSÉ MARIA Melo também falou, já que foi protagonista em um dos vários chutes iniciais no jogo entre times de escolinhas sociais do Ateneu. No momento em que Cássio gravava uma reportagem para o programa Momento Esportivo, a VinTV, ele chegou até a brincar e cobrar que o Cassimiro estava ali e que fosse citado como uma das entidades que prestigiava o evento, ao lado do Rotary Clube, CDL, Santa Casa, ACI, entre outros.

"PAPEL DO FUTEBOL"

“FAÇO VOTOS para que este pontapé seja definitivo, porque o futebol de Montes Claros não merece isto. A potência que a cidade é em relação ao estado exige que tenhamos um representante no futebol mineiro. A gente tem o vôlei fazendo este papel, mas o brasileiro gosta mais é do futebol. Espero que esta arrancada do Ateneu dê resultado”, analisou, com certo tom de cobrança, o presidente de honra cassimirense em entrevista ao programa Camisa 12, da TV Geraes (afiliada Rede Minas).

ALIÁS, UM episódio pessoal mostra o quanto pesava a rivalidade entre os dois times nos anos 50. José Maria Melo era jogador do Ateneu e arrumou uma namorada de família cassimirense. Até que tentou a convivência, mas os familiares da moça deram o ultimato. Escolheu o amor e mudou para o Cassimiro.

O ATENEU nasceu em 1º de maio de 1947. Faz 70 anos em 2017. Com um ano de diferença na fundação, o Cassimiro de Abreu surgiu em 28 de maio de 1948. Entre incontáveis clássicos locais e regionais, há uma curiosidade a mais na história dos rivais, que chegaram a jogar a mesma edição da Taça Santos Dumont, uma versão inchada do Campeonato Mineiro para 50 times do interior, em 1969. Mas ficaram em chaves diferentes e o duelo por uma competição oficial do Estado nunca aconteceu.

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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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