Base do Funorte na mira dos grandes clubes

EM UM ano, doze atletas dos times Sub-15 e SUB-17 já foram procurados por Cruzeiro, América e Atlético/PR

O FEC ainda não conseguiu chegar à fase final, mas revelação de atletas compensa
EM TEMPOS de restrições orçamentárias, a opção do Funorte EC para não suspender os trabalhos de uma vez por todas foi a terceirização das categorias de base. O ônus foi assumido pelo treinador Júnior Borges, pais de atletas e as contribuições de pequenos patrocinadores, além da ajuda de custo voluntária vinda de atletas de cidade que engrenaram na carreira profissional.

ASSIM, HÁ três anos, o FEC disputa o Campeonato Mineiro Sub-15 e Sub-17. O clube propriamente dito ajuda dentro do possível: além de ceder os registros na Federação Mineira, empresta a estrutura do Centro de Treinamento e mantém o supervisor Cláudio Teixeira à disposição da base.

ACONTECE QUE mesmo com este esforço de Hércules, o Funorte ainda não conseguiu chegar à fase decisiva. O regulamento é ingrato; classifica apenas dois dos seis times em cada grupo. Páreo duro até porque Cruzeiro, América e Atlético, como cabeças em suas respectivas chaves, quase sempre justificam o favoritismo e deixam apenas uma vaga em seus grupos para a briga entre os demais cinco integrantes.

Goleiro Gabriel já encaminhado para a Toca
NESTA EDIÇÃO, por exemplo, a regra para chegar à fase final remete à somatória dos pontos das duas categorias. Como a tabela é “casada”, vale a campanha geral do clube. Restam duas rodadas e o FEC é apenas o quarto colocado, com 17 pontos, seis atrás do Arsenal, adversário deste sábado e quem ficaria com a segunda vaga para o Hexagonal. O Cruzeiro, com 44 pontos no geral, disparou e já garantiu a sua vaga há tempos.

MAS...

SE EM campo, o time ainda precisa de um impulso para brigar pelo título, fora dele desperta interesse de projetos de base que aparentemente já estão consolidados. Em um ano, entre junho/2015 e maio/2016, nada menos do que 12 jogadores do Funorte entraram nos planos de clubes mais tradicionais do futebol brasileiro.

RESPONSÁVEL PELA revelação nomes como o atacante Fred e o volante Gilberto Silva, somente o América buscou seis jogadores do Funorte para incorporar à sua base. Quatro foram avaliados ainda no ano passado e dois permaneceram no Coelho: o atacante Robinho e o goleiro João Vitor. Agora em 2016, mais dois estão encaminhados para o América e, caso o Funorte fique pelo caminho na 1ª fase, já poderão atuar pela equipe americana no Hexagonal Final: são os volantes Samuel Batista e Marcos Paulo.

DO ATUAL time do Sub-15, o zagueiro João Marcelo, que chegou ao Funorte em abril vindo de Várzea da Palma, está prestes a seguir para Curitiba. No jogo em que o FEC foi derrotado pelo Cruzeiro na Toca da Raposa (2x3), há duas semanas, o jovem atleta de apenas 14 anos, mas já com 1,88 metro despertou a atenção de um olheiro do Atlético/PR. A conversa ali mesmo à beira do campo selou a sua ida para um período de avaliação no Furacão.

Júnior Borges é o técnico e coordenador do projeto há 3 anos
O CRUZEIRO, por sua vez, engatilhou a ida de dois valores do time Sub-15 do Funorte. Com quatro gols em quatro jogos, o atacante Lucas Adriel e o goleiro Gabriel Fernandes já estão sendo avaliados na Toca da Raposa I e, ao final do Mineiro Sub-17, mais atletas jogadores seguirão para BH: dois meias e um defensor – os nomes ainda em sigilo para evitar atravessadores.

“O TRABALHO da categoria de base não depende do resultado propriamente dito. Há uma série de metas, a começar pela valorização do seu trabalho e a aplicação dos garotos. O interesse de clubes tradicionais em atletas é um reconhecimento a tudo isto”, analisa o técnico Júnior Borges.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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