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Para chegar inteiro à Superliga

FISIOTERAPEUTA DO Montes Claros Vôlei - Jomar Almeida - analisa os cinco primeiros meses de trabalho e destaca a resistência do elenco às lesões mais sérias

ÚNICO A participar de todos os projetos da cidade no vôlei profissional, desde 2009, o fisioterapeuta Jomar Almeida conversou com o VENETA sobre o início de mais uma temporada. 


O TRABALHO é diário e torna-se mais intenso diante do método adotado em estabelecer uma preparação individual para cada atleta. Desde o multicampeão André Nascimento, que ainda requer um trabalho especial, até o novato Kadu, que chega nesta semana vindo de uma maratona de competições internacionais pela Seleção Brasileira.

SEGUNDO JOMAR, o diferencial para prevenir as lesões mais graves está justamente nisto: respeitando as diferenças. Aliás, fora do ambiente do vôlei, quer dar exemplo, como corredor de rua, contagiado pelo espírito esportivo.

VENETA – São cinco meses de trabalho. Pode-se dizer que este novo grupo do Montes Claros é resistente e te dá menos trabalho?

JOMAR ALMEIDA – “Este grupo intercala jogadores de vários tipos, desde os mais experientes como o Salsa, Bob e o André Nascimento e jogadores novos, casos do Renan, Rafael, Índio, Juninho e do próprio líbero Kachel. A gente mescla estes dois perfis: jogadores com velocidade e potencial muito grande e outros com o estilo não tão rápido, mas que associam o condicionamento à experiência”.

VENETA – A primeira grande prova de fogo foi o Campeonato Mineiro, no qual a maioria dos atletas disputou após a sequência mais de treinamentos. Como você avalia o grupo sob o ponto de vista de resistência às lesões?

JOMAR – “O elenco esteve bem neste sentido, principalmente se comparado aos outros times Cruzeiro, Minas, Três Corações e Juiz de Fora. O nosso time se portou muito bem e sem nenhuma lesão. Acredito que isso aconteceu graças ao trabalho específico e eficaz da comissão técnica: treinador, auxiliar, preparador físico e nós fisioterapeutas. Com a periodização que a gente criou – tempo de treinamento e tempo de recuperação –, o time vai chegar inteiro para o primeiro jogo da Superliga [dia 8/11, contra o Taubaté]”.

Jomar e o fisioterapeuta Rodrigo Silva atendem Salsa em jogo pelo Mineiro
VENETA – Os casos de torções e de cansaço muscular são comuns em início de trabalho. Teve algum histórico considerável nestes primeiros cinco meses de trabalho?

JOMAR – “A gente teve alguns registros do que chamamos “acidentes”, como entorses, tendinites, inflamação muscular e a própria fadiga muscular, mas nada de lesão séria ou muito grave, que tira o atleta completamente de ação. Isso deixa claro que o trabalho envolvendo os eixos da comissão técnica foi de grande valia, principalmente para chegar à Superliga com todos os atletas inteiros”.

VENETA – O André Nascimento é o jogador mais experiente do grupo, veio como a estrela da companhia, mas quando chegou à cidade revelou que ficou parado por um ano e meio. Ele ainda merece uma atenção especial ou até aqui dá pra dizer que está no mesmo nível do grupo?

JOMAR – “O grande diferencial do nosso time em relação à recuperação de atleta está na avaliação individual. Não apenas o André, mas também com o Salsa, Bob, Wagner, Kachel e os demais. A gente faz o trabalho individualizado e sempre com este cuidado especial em relação ao André, que é o atleta mais velho do grupo – e por causa de todo este tempo parado. Ele vem respondendo muito bem às partidas e ao programa de treinamento de jogo que a gente colocou. Você pode ver que ele ainda não fez nenhum jogo inteiro, mas não pela condição técnica e tática que ele tem e que todo mundo conhece, mas sim pela programação que foi feita; para ele ser poupado e entrar na Superliga bem, próximo dos 100%”.

VENETA – Além dele, alguém mais merece este olhar com um cuidado ainda maior? O Bob já passou por uma cirurgia delicada na carreira...

JOMAR – “Realmente. O Bob passou por uma cirurgia no ano passado, no ombro, muito delicada e, por isso, a gente tem um cuidado especial também neste caso. Mas faço uma ressalva sobre ele; o Bob é um atleta que gosta de treinar e gosta de se cuidar com os trabalhos de prevenção. Vai à clínica praticamente todos os dias. Claro que a preocupação e o cuidado especial ainda continuam, mas a disciplina dele acaba sendo um facilitador ao nosso trabalho, especialmente nos exercícios de proteção articular para o ombro”.

Jomar é o único a fazer parte de todos os projetos desde 2009
VENETA – Cedido pelo Sada/Cruzeiro, o ponteiro Kadu é o último dos reforços do Montes Claros e chega nesta semana. Tem a “troca de figurinha” com o pessoal do Cruzeiro para saber sobre as condições em que o atleta está chegando ou vocês fazem uma nova avaliação geral?

JOMAR – “Sempre há troca de troca de informações, especialmente no caso do Cruzeiro [Alysson Zuin] e da Seleção Brasileira [Fininho], onde os fisioterapeutas são amigos pessoais, mas é preciso ter uma avaliação inicial sim. Não adianta apenas esse feedback dos outros profissionais. Mesmo sendo jovem, o Kadu literalmente não parou. É um atleta jovem que não teve férias: jogou pela Seleção Juvenil e pela Principal, Mundial Interclubes... A gente precisa avaliar para saber em que ponto ele está de cansaço e fadiga muscular, nível de força e preparação física para fazer a programação específica dele. É um atleta que chega com as credenciais para brigar diretamente por uma posição no time”.

VENETA – Falando em sequência de trabalho, além de ser fisioterapeuta do Montes Claros Vôlei, você tem uma clínica particular, é professor universitário com aulas todos os dias, tem esposa e filhas e agora é corredor de rua. Como é dar conta disso tudo?

JOMAR – “Tem um ditado mais ou menos assim: a gente é que faz o tempo da gente. Mas na verdade, eu tenho a ajuda de muita gente, principalmente da minha esposa Ellen, que me dá uma força muito grande na clínica e nos afazeres em casa. Pelo bem da minha saúde e para dar conta deste ritmo todo é importante não ser apenas um atleta de final de semana. Também tinha que assumir a auto-responsabilidade na parte física e mostrar que eu estou bem. Além de correr, dar conta de jogar a peladinha de futebol que a gente tem aqui antes dos treinos do pessoal do vôlei. Se Deus quiser, neste ano vou disputar a Volta Internacional da Pampulha (risos)”.

VENETA – Esta experiência que você tem no ambiente do time, com a convivência diária com o que acontece dentro e fora de quadra, dá pra fazer um prognóstico do potencial do Montes Claros Vôlei para a Superliga, tipo: onde o time pode chegar?

JOMAR – “Se a gente analisar apenas a questão de orçamento para a temporada, a nossa equipe é, talvez, a décima em investimento financeiro entre os doze clubes da Superliga. Numa característica de montagem de elenco – aí é preciso elogiar o Andrey [Souza, gestor do projeto] e o Marcelo [Ramos, técnico] na escolha de cada jogador –, avaliando um por um do grupo, são poucos como o Salsa, Bob e o André Nascimento que têm experiência de ter jogado como titulares em equipes de ponta. Então, são atletas novos, que têm no currículo a presença em elencos de clubes tradicionais, mas não como titulares.
Acho que foram nomes escolhidos a dedo e que, juntos no mesmo grupo, eles têm tudo para mostrar o potencial e colocar o nosso time entre os oito primeiros da Superliga. Daí em diante, será briga de cachorro grande”.

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