Um pouco de Montes Claros nos 50 anos

MUITOS FORAM os personagens da maior cidade do Norte de Minas que atuaram pelo Mineirão, inclusive com gols; alguns contam esta experiência no mês do aniversário do estádio


MARCA REGISTRADA na vida esportiva de praticamente todos os mineiros, o Gigante de Minas completou 50 anos no último dia 5, mas as cinco décadas de existência do Mineirão vêm sendo comemoradas oficialmente desde junho, com uma série de eventos na Capital Mineira.

O PRIVILÉGIO de celebrar e reviver fatos marcantes do Estádio da Pampulha não é apenas de Belo Horizonte. A 420 quilômetros, Montes Claros também tem páginas na história do Mineirão. No último dia 5, publiquei o material a seguir na edição impressa do Jornal de Notícias e, agora, compartilho aqui no blog.

INFELIZMENTE, NÃO há um documento oficial que registre nominalmente todos os atletas da cidade que pisaram no gramado do Estádio Minas Gerais. É preciso pesquisar muito. Nem a Federação Mineira de Futebol disponibiliza uma fonte específica com estes dados. Além disso, equipes de base de Montes Claros também jogaram no Mineirão, mas estas partidas não entraram nos diários como oficiais no estádio.

O FATO é que, seja nos times tradicionais de Minas como Eduardo “Rabo de Vaca”, multicampeão com a camisa do Cruzeiro nos anos 70, o zagueiro Odair Borges (que fez gol na Copa Centenário) e o atacante Bentinho (gol num Atlético x Cruzeiro), ou pelos clubes da cidade que um dia tiveram o privilégio de disputar a Elite Mineira, casos de Bené, Moisés, Milton Henrique, Osias, Lado, Nicomedes, Helton Veloso, Denarte, dentre outros, Montes Claros tem histórias para contar nestes 50 anos de Mineirão.

DAS GERAÇÕES mais recentes, o atacante Sandrinho, fez um gol no Atlético de Taffarel com a camisa do Montes Claros FC. Foi em 1997 e o Galo venceu o jogo por 2 a 1. Já Marquinhos “Besourão”, naquele mesmo ano, estava no time do Villa Nova que eliminaria o Atlético nas semifinais do Mineiro.

OUVIMOS ALGUNS destes personagens, que realizaram o sonho de um dia deixar de lado os estádios acanhados de Montes Claros para jogar no palco maior do futebol mineiro.

CLÁSSICO JÚNIOR

A HISTÓRIA do meio de campo Carlúcio para chegar a jogar no Mineirão começou com uma goleada. Quem conta é o próprio jogador, que atualmente tem 59 anos e trabalha como motoboy em Montes Claros. Ele fez parte do time amador do Ateneu, que recebeu o Atlético na cidade e foi massacrado, em 1976. “O jogo foi no domingo e a gente perdeu por 5 a 0, mas mesmo assim, a imprensa disse que eu havia sido o melhor em campo. Aí, um diretor do Atlético me convidou para ir para lá. Tive que pedir aos meus pais porque era menor de idade e eles autorizaram a minha viagem”.

CARLÚCIO CONTA que viajou já na segunda-feira seguinte e era a primeira vez que saía de Montes Claros. “Nunca tinha viajado de ônibus”, conta. Aos 18 anos, foi incorporado ao time júnior atleticano, que se concentrava na Rua São Paulo, centro de BH, e a estreia com a camisa do Galo no maior estádio de Minas foi, de estalo, num clássico contra o Cruzeiro pelo Mineiro de base.

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“O JOGO era numa preliminar dos profissionais de Atlético e Cruzeiro e a torcida já tinha o hábito de chegar mais cedo justamente para incentivar a meninada. A gente ganhou por 3 a 0”, disse Carlúcio, ao se recordar do meia Marinho, que depois se destacou no Bangu, como a estrela daquele time.

IMPRESSIONADO

OLHANDO DE dentro do gramado, antes da bola rolar, Carlúcio revela que ficou impressionado com o tamanho do Mineirão. “Fiquei até bobo com o tamanho. Estava acostumado com o campo do Ateneu”, disse.

NÃO FALTARAM outras oportunidades de jogar no Mineirão. “Volta e meia, os jogadores do time júnior era chamados para treinar e até jogar no profissional. Na minha posição, tinha Cerezo, Alfredo e mais um que me falha o nome. Quando algum machucava ou estava suspenso, eu era chamado. Às vezes entrava para fechar o jogo nos últimos 20 minutos. O técnico era o Barbatana, que gostava do meu futebol e depois ele me efetivou como o reserva imediato do Toninho Cerezo”.

PORÉM, UM problema de saúde às vésperas de uma excursão para a Europa, culminou na saída de Carlúcio do Atlético. “Tive um problema muito sério de hepatite e fui cortado da delegação de 25 jogadores que ficaria um mês fazendo amistosos na Suíça”. Depois de se recuperar da doença, os seus pais não deixaram que ele voltasse. Carlúcio ficou um ano e meio no Atlético. “Tinham medo que eu adoecesse de novo. Cheguei a disputar a Copa São Paulo Júnior e lá, eu recebi proposta do São Paulo para ir, mas mesmo assim meus pais não me liberaram. Voltei para o Ateneu, sofri uma fratura no tornozelo e só um ano depois que eu consegui voltar a jogar bola como antes, mas as oportunidades no Atlético e no São Paulo já haviam passado”.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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