Um sargento pronto para a “guerra”

ÍDOLO SALSA se transforma no terceiro-sargento Zambelli para representar o Brasil nos Jogos Mundiais Militares

Salsa (1º à frente, à esquerda) fez treino de técnicas de salto; Piá é o último à direita (ao fundo)
PRATICAMENTE DEFINIDO para a próxima temporada, o grupo de jogadores do Montes Claros Vôlei terá em suas fileiras “um certo Sargento Zambelli”. O nome pode soar como desconhecido se for divulgado dessa maneira, mas trata-se de um dos atletas mais admirados pela torcida: Thiago Salsa. Aos 33 anos, ele mudou temporariamente a alcunha por vontade própria, depois que decidiu servir a Pátria. Tornou-se integrante do Exército Brasileiro e integra as fileiras da Seleção Militar que representará o País nos Jogos Mundiais Militares em novembro, em Seoul, na Coréia do Sul.

O NOME de “guerra” vem de um dos sobrenomes. Thiago Zambelli Rey, o Salsa, está há praticamente dois meses concentrado na Escola de Educação Física do Exército, no tradicional Bairro da Urca, no Rio de Janeiro. A preparação é intensa. Além das partes física e técnica, a rotina segue o estilo militar, com direito ao uso da farda e das demais indumentárias da escola do Exército.

EM GERAL, os brasileiros entram no Exército logo após a adolescência, com o alistamento obrigatório, mas nem todos conseguem se ingressar nas Forças Armadas. “Sou do interior de São Paulo e o alistamento acontecia na minha cidade mesmo, mas acaba que ninguém servia por lá já que não havia unidade militar. Bom Jesus dos Perdões [próximo a Atibaia e Campinas] é um lugar muito pequeno e acabei dispensado por excesso de contingente”, disse Salsa.

POR ISSO, aos 18 anos, Thiago não conseguiu se tornar militar. “Até que eu tinha vontade mesmo de servir, mas como já havia começado no vôlei, se eu entrasse para o Exército teria que dar um tempo no esporte. Isso também foi decisivo para eu me tornar atleta”.

VIA VÔLEI

CURIOSAMENTE, O sonho Salsa que realiza agora, acontece justamente pela experiência que tem no vôlei. Mas para se tornar o terceiro-sargento Zambelli, Thiago enfrentou uma maratona bem diferente à de um alistamento rotineiro. “É preciso se inscrever para chegar à Seleção Brasileira Militar. O Exército faz uma seletiva, na qual analisa o seu currículo como atleta e como cidadão, além de estar com a saúde perfeita. Fiz uns quinze tipos de exames, todos diferentes”, revela o militar.

A SELETIVA, segundo Salsa, não é o suficiente para fazer parte da seleção. “Depois da seletiva, já que há muitos candidatos, o Exército faz a convocação, como acontece nas seleções tradicionais e com muito gosto fui convocado para representar o Brasil e vestir a amarelinha”, explica.

O GRUPO que defenderá o Brasil em quadras sul-coreanas terá nomes bem conhecidos dos torcedores de Montes Claros. Além do terceiro-sargento Zambelli, a seleção conta com os ponteiros Piá e Ygor Ceará e o oposto Edinho, que já atuaram pelos times da cidade.

DE CONTRATO renovado para a próxima Superliga Nacional e competições afins entre 2015 e 2016, não há como negar que o central Thiago Salsa é o jogador mais identificado com o voleibol profissional na cidade. Afinal, ele vai para sua quinta temporada como atleta de um time em Montes Claros. Fez parte do projeto da Funadem entre 2009 e 2012, que foi vice-campeão nacional logo em seu ano de estreia, e retornou ao Norte de Minas no time anterior, que ficou em oitavo lugar na Superliga Nacional.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

1 comentários:

Sergio Benetti Rey disse...

Parabéns ao Sargento Zambelli pela futura carreira que se abre, desejo muita sorte nessa difícil empreitada de representar a nação em terras distantes.

Sérgio Rey