Receita familiar de sucesso para a Liga Nacional de Handebol

TREINADORA FRANCIS Almeida trabalhará ao lado os filhos Lucas e Mateus e buscará atletas com experiência nacional para se juntar à base local - vencedora

Francis entre os filhos Mateus e Lucas, que trabalharão no projeto na Liga
COM VINTE anos de dedicação quase que exclusiva ao handebol, como atleta, treinadora e dirigente, Francis Almeida vê no próximo desafio a realização de um de seus maiores sonhos dentro do esporte: a entrada da cidade na Liga Nacional. A partir de maio de 2015, Montes Claros terá uma equipe na disputa da Liga Feminina e outra na Liga Masculina, como a VENETA divulgou na última semana.

E O processo de readequação do handebol local à nova realidade profissional permitirá a Francis o privilégio de trabalhar em família. Os filhos Lucas (23) e Mateus Nagem (19) vão integrar as comissões técnicas dos dois times locais nas disputas nacionais.

A TREINADORA, que comandará o time feminino na Liga, deu mais detalhes à reportagem – inclusive com números – de como será o trabalho de agora em diante.

A base local precisará ser reforçada, como disseram no dia do anúncio da entrada da cidade na Liga Nacional. Como isso vai acontecer?

FRANCIS ALMEIDA – “Vamos precisar reforçar os dois times. No feminino, por exemplo, a gente precisará de quatro a cinco reforços neste primeiro momento e em posições específicas: três amadoras com potencial para os arremessos de fora, uma goleira e uma pivô. Nosso grupo é muito novo. Neste ano, ganhamos as duas principais disputas de Minas Gerais – o Campeonato Mineiro e os Jogos de Minas – com a base do time júnior. Somente quatro atletas já têm idade adulta. Então, posso dizer que é um grupo muito novo que precisará de referências mais experientes dentro da quadra numa competição de nível nacional”.

Já têm esses nomes?

FRANCIS – “Há quase um mês a gente vem conversando com estes atletas que podem reforçar a nossa equipe e esperamos confirmá-los até o dia 15 de janeiro. Alguns vêm de São Paulo e outros de Pernambuco”.

Qual o grupo ideal para cada naipe?

FRANCIS – “Pela experiência que temos, precisaremos de um grupo de no mínimo 40 atletas, sendo 20 para cada naipe (masculino e feminino). Nas competições nacionais, cada time pode relacionar 17 atletas uniformizados na súmula de cada jogo. Por isso, o grupo entre 20 e 22 jogadores seria o ideal”.

Base que vem das conquistas do Mineiro e JIMI está mantida
Como é que funciona a Liga?

FRANCIS – “São doze equipes da disputa de cada uma das ligas, com jogos de ida e volta e as quatro primeiras colocadas fazem a melhor de duas partidas nas semifinais: primeiro contra o quarto e o segundo contra o terceiro. Ou seja, faremos pelo menos 11 jogos em Montes Claros e como se trata de nossa primeira Liga, a meta é ficar entre os cinco primeiros colocados nos dois naipes”.

E como vocês pensam em definir a comissão técnica: também virá gente de fora?

FRANCIS – “Tudo dependerá do orçamento que a gente está tentando viabilizar [nota da redação: o orçamento é de R$ 477 mil para uma temporada de 10 meses]. A princípio, a base de todo o trabalho que a gente fez até aqui vai permanecer, mas se for pontual, de repente pode surgir algum suporte para a comissão técnica e que possa nos ajudar nesta empreitada. Só que isso vai depender muito dos parceiros e do suporte financeiro que for fechado. Para se ter uma ideia, vamos precisar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil para custeio dos recursos humanos a cada mês”.

Um diferencial para este trabalho, além de sua história de duas décadas com o handebol, é o envolvimento dos filhos. Como será trabalhar ao lado deles?

FRANCIS – “O Lucas e o Mateus já estão trabalhando com o handebol de competição. O Lucas há mais tempo e o Mateus ingressou na faculdade (Educação Física) no ano passado. Lá em casa, eu costumo dizer que a gente respira Handebol. O pai deles [ex-marido de Francis, Marcelo Nagem] já foi técnico das equipes de competição de Montes Claros. O Lucas já assumiu, desde o início do ano, as categorias mirim, infantil e cadete masculino juntamente com o Mateus. Como neste projeto a gente vai permanecer com a base do que fizemos até aqui, o Mateus virá para a Liga Nacional como atleta e o Lucas vai compor a comissão técnica na parte de estatística”.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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