Módulo II não mais para o Funorte

CLUBE CHEGOU a ter carta oficializando a desistência da Patrocinense, mas nova reviravolta deixa competição como está: sem o Formigão

Sem chances de subir, Funorte para com o profissionalismo no primeiro semestre
NO FUTEBOL não há verdade que dure 24 horas - ou um pouco mais. O já desgastado ditado aplica-se mais uma vez ao momento do Funorte. Terceiro colocado na 2ª Divisão, o clube apostava no critério técnico para fazer companhia ao Nacional e Montes Claros, subir e assumir uma vaga no Campeonato Mineiro do Módulo II diante da provável desistência da Sociedade Esportiva Patrocinense.

HAVIA, INCLUSIVE, acertado verbalmente com quase um time inteiro. Para maior segurança, o diretor executivo do Formigão, Cristiano Júnior, tinha em mãos uma carta aberta do presidente da Patrocinense, Mário Augusto de Faria, datada do dia 23 de dezembro e nominada ao presidente da FMF, Paulo Schettino.

O DOCUMENTO oficializava “a não participação da SEP no Mineiro do Módulo II, temporada 2014 (...) tendo em vista uma série de dificuldades estruturais e financeiras em nossa equipe”. Mário ainda enfatizava, sem citar valores, sobre a existência de débitos herdados da campanha do Módulo II 2013.

POIS BEM. O cenário era este até a última sexta-feira (27). Já no sábado (28), mudança geral. O representante de Patrocínio – para ficar bem claro – “desistiu de desistir”. Antes da virada de ano, o próprio Mário de Faria enviou um representante a Montes Claros para pegar de volta a carta que entregue ao Funorte.

“SALVAÇÃO”

ENTRE SEXTA e domingo – o que se estende até hoje –, uma série de reuniões entre empresários e dirigentes em Patrocínio fechou uma espécie de “projeto de salvação” da Patrocinense, com a viabilidade de recursos financeiros para montar a equipe – embora modesta –, apostando até mesmo em atletas vindos de times amadores do Vale do Paranaíba e do Triângulo Mineiro. Aliás, o grupo gestor (novo) também vem do futebol amador.

CORDIALIDADE


Júnior entende volta na decisão
da SEP, mas se revolta com veto
“COMO FORAM absolutamente cordiais com o Funorte, ao redigir uma carta oficializando a desistência do Módulo II, eu não poderia ser diferente ao responder a solicitação do Mário em entregar o documento de volta”, disse Cristiano Júnior. O diretor do Funorte faz outras duas observações para entender que, atualmente, seu clube tem 0% de chances de estar no Módulo II/2014.

NO SEU entendimento, o recesso de fim de ano na FMF foi prejudicial ao Formigão. “Se a Federação estivesse funcionando já teríamos protocolado a solicitação da vaga, com o argumento do critério técnico; inclusive com a carta de renúncia da Patrocinense”, disse.

OUTRO PESO contra o FEC foi a intervenção judicial na FMF, diante da impossibilidade de o presidente Paulo Schettino e de qualquer outro dirigente ter acesso à sede da entidade mesmo durante o recesso. O prédio continua lacrado.

Alguns atletas do elenco de 2013 estavam apalavrados
MAIS UMA “bronca” do diretor do Funorte estaria no veto de outros clubes à provável entrada do clube. No regulamento do Módulo II não há um artigo específico que oficialize a substituição de um clube desistente e, assim, seria necessária a consulta aos demais participantes. “Até neste aspecto estávamos bem servidos, porque eu havia consultado os clubes da outra chave e todos concordariam com a entrada do Funorte, mas do outro lado, que seria a nossa chave regionalizada, as coisas foram diferentes”.

NA SUA versão, haveria uma corrente entre os clubes do Triângulo Mineiro para que, caso houvesse a desistência da Patrocinense, nada de substituição e, assim, o time de Patrocínio seria automaticamente o último colocado e o rebaixado da Chave para a Segundona/2015. Júnior nominou o Mamoré como um dos “rivais” nesta queda de braço. O Montes Claros FC também foi citado, mas ele consertou. 

“NÃO ACREDITO que o Montes Claros faça isso. Somos parceiros fora de campo. Meu irmão [Jota Dias] está lá e na Segunda Divisão trabalhamos muito para colocar o Estádio José Maria Melo em condições de jogo. Neste momento, um depende do outro”, finalizou.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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