Medalhas de Londres têm efeito no grupo do Montes Claros FC

ATACANTE MEXICANO Victor Mendoza ainda comemora o ouro do seu país sobre o Brasil enquanto meia lamenta virada que o irmão Dante e a seleção de vôlei sofreram dos russos

HÁ ALGUMA relação entre as 17 medalhas da campanha brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres, encerrados há três dias, e o trabalho de preparação do Montes Claros Futebol Clube para a disputa do Campeonato da Segunda Divisão, a última série do futebol de Minas Gerais? Pode apostar que sim.

Bruno, irmão mais novo de Dante, e Victor Mendoza
SERIA EXAGERO dizer que o Bicho tem ligação com todas as medalhas, mas duas das que foram conquistadas, em especial, mexeram com os bastidores do clube do final de semana para cá: a derrota da Seleção que culminou com a prata no futebol, no sábado, e a virada sofrida pelo time masculino de vôlei, no dia seguinte, para Rússia.

A PRIMEIRA das explicações está no sorriso que o atacante Victor Mendoza, de 24 anos, estampava no treino dessa terça-feira, no estádio José Maria Melo, que parecia não desmanchar nunca. Ele ainda comemora a conquista da medalha de ouro pelo México, na vitória de dois a um sobre o Brasil de Neymar, Lucas, Pato & Cia por dois a um.

DETALHE: VICTOR, como prefere ser chamado, é mexicano e há um ano e meio mora no Brasil. Ainda se comunicando em portunhol, deu sua versão aos fatos. “Nenhum mexicano seria louco de acreditar que o Brasil perderia aquela final como aconteceu, mas fizemos um a zero e as coisas mudaram de rumo”, disse.

O ATACANTE foi desafiado pelos companheiros de elenco e resolveu apostar que o México sairia de campo com a “medalla de oro”. Aceitou. Ao final dos 90 minutos, o México ficou com o peito dourado no Wembley Stadium e, ele, há milhares de quilômetros, na concentração do Montes Claros, faturava ingressos de cinema, lanches e até dinheiro, em especial dos companheiros Geovane e Nilo. “Apenas uma brincadeira para quebrar o clima, até porque essa é uma conquista histórica para o México, que nem o Brasil tem”, debochou o gringo.

DOS CAMPEÕES olímpicos por seu país, Victor foi companheiro de grupo de dois deles nos tempos de Cruz Azul, um dos clubes mais populares do México. “Joguei ao lado do meia Javier Aquino e do zagueiro reserva Nestor Araújo”. Mas na sua avaliação, o craque do time é mesmo Oribe Peralta, autor dos dois gols. “O homem jogou como nunca”, pontuou Victor.

"AINDA NÃO ACREDITO QUE OS RUSSOS VIRARAM"

O MEIA Bruno Amaral, de 29 anos, foi outro jogador do Montes Claros que concentrou as atenções na reta final dos Jogos Olímpicos de Londres, já que o seu irmão mais velho, o ponteiro Dante, de 32 anos, decidiu no domingo, pela manhã, a medalha de ouro do torneio de vôlei ao lado de Murilo, Bruninho, Giba e Bernardinho. O adversário era a Rússia, que conseguiu uma virada histórica depois de estar perdendo por dois a sets a zero e sofrer dois “game points”.

“A PARTIDA começou fácil demais, não esperava assim. Mas como o Brasil abriu dois sets de vantagem, acreditei muito que a medalha de ouro era questão de tempo”, disse o jogador de futebol. Na sua avaliação, a Rússia jogou muito e soube neutralizar os pontos fortes do Brasil.

“ELES (RUSSOS) arrebentaram com o jogo. Literalmente partiram para cima e o Brasil sentiu”, completou Bruno, ao lembrar que o seu irmão não pode ficar todo o tempo na quadra porque sentiu dores no joelho. “O Dante estava bem e era uma das armas do Brasil, mas teve que sair por causa disso”.

O MEIA do Montes Claros confessou que nem mesmo pelas redes sociais na internet conseguiu ainda falar com o irmão mais famoso depois da final. Mas em um dos bate-papos na véspera da final, Dante teria lhe afirmado que faz planos diferentes aos de Giba e Serginho, que se despediram da seleção em Londres. “O Dante tem 12 anos de Seleção Brasileira e tem a intenção de encarar ainda mais uma Olimpíada. O sonho dele é jogar pelo País na Rio 2016”, finalizou.

COINCIDÊNCIA OU não, Bruno e Victor são companheiros de quarto na nova concentração do Montes Claros FC, que funciona na área central da cidade. Das brincadeiras, o meio-de-campo foi poupado. “Ele ainda está triste por causa da ‘plata’”, brincou o mexicano, antes de posar ao lado do companheiro para a foto.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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