Entrevista Leandrão: de ex-servente a oposto e ídolo do Montes Claros

MAIOR PONTUADOR DO BMG/Montes Claros fala da boa fase e das superações neste início de Superliga

NÃO APENAS PELAS
coincidências na posição e na habilidade com o braço cabe a comparação. O rendimento nesta reta inicial de Superliga Nacional tem feito de Leandrão um dos candidatos mais fortes para suceder Lorena na condição de ídolo da torcida do BMG/Montes Claros. Ele não esteve bem no jogo de ontem à noite contra o Sada/Cruzeiro: fez apenas quatro pontos e teve que ser substituído por causa de uma indisposição. Precisou de compressa de gelo e atendimento médico, mas sem quaisquer decorrências.

MAS NA somatória da competição, já são 133 pontos em dez jogos e, por isso, o oposto, assim como o canhão Lorena da temporada passada, está entre os atacantes mais eficientes. É o segundo entre os pontuadores, dez a menos que Wallace (Sesi) e também o segundo no aproveitamento: 41,67%, atrás apenas de João Paulo, do Cimed (42,31%).

O SUCESSO atual não deixa de ser mais uma marca de superação na vida de Leandro Araújo da Silva, que completa 27 anos na próxima sexta-feira (17). De origem bastante humilde em Limeira, interior de São Paulo, é o segundo dos cinco filhos (o mais velho dos homens) e, por muito pouco, pois precisava ajudar no sustento da família, o vôlei não perderia o oposto para outras profissões. “Trabalhei até de servente de pedreiro”, contou o jogador, em entrevista nesta semana.

O atual momento do time te surpreende?
LEANDRÃO
– “Decorrência do trabalho que a gente faz desde o começo da temporada: muito treino em quadra, areia, jogos pelo Campeonato Mineiro e agora, o crescimento dentro da Superliga, com o ritmo das primeiras partidas e as vitórias contra as equipes mais fortes”.

O braço esquerdo parece ser o amuleto do Montes Claros, com o Lorena na temporada passada e você agora nesta Superliga. E vocês dois sempre no topo dos pontuadores.
LEANDRÃO
– “Estou gostando muito disso, mas vou ter que trabalhar muito mais. Já fui duas vezes o terceiro melhor atacante da Superliga, mas nesta temporada este rendimento tem sido especial porque estou recuperado de um problema crônico que tive no ombro; um momento muito difícil na minha vida. Por isso, acho que agora estou fazendo por onde em atingir algo mais e, quem sabe, no final, consiga me manter como o maior pontuador; se Deus quiser”.

Você chegou ao Montes Claros com um problema crônico no ombro direito depois de uma temporada na Ásia que precisou até mesmo de infiltrações para entrar em quadra. Como foi esta recuperação e se você se sente 100% seguro para jogar?
LEANDRÃO
– “Todos acreditaram em mim, mas não foi fácil. O meu empresário sugeriu um tratamento diferente em São Paulo e aqui no clube o doutor Jomar [Almeida, fisioterapeuta) junto com a comissão médica deram total apoio para que tudo desse resultado”.

O tratamento era mesmo de retirada de sangue de outra parte do corpo para aplicação no local contundido?
LEANDRÃO
– “Tirava do braço e separava as plaquetas para aplicá-las diretamente no ombro”.

Onde foi o início de sua carreira?
LEANDRÃO
– “Sou do interior de São Paulo. Minha família é toda de Limeira. Joguei por lá durante dois anos, depois fui para Campinas e para o Minas. Tive o privilégio de conhecer o país inteiro ainda muito jovem, mas na base de muito suor e muita ‘ralação’. Venho de uma origem bastante humilde. Agradeço a Deus a cada dia por tudo isso”.

Pelo fato de sua família ter sido humilde, você correu risco de desistir do vôlei para ter que ajudar em casa?
LEANDRÃO
– “Quando era mais novo, minha mãe falava sobre as dificuldades em casa e que de repente teria de parar de jogar vôlei. Pedi uma última chance e ela me deu mais um ano para tentar algo mais no esporte. Consegui um time no interior de São Paulo, comecei a ganhar dinheiro e ajudar em casa como ela precisava. Por isso estou jogando até hoje; por pouco não estaria aí trabalhando em outra coisa (risos).

Antes de jogar definitivamente chegou a trabalhar em quê?
LEANDRÃO
– “Trabalhei em fábrica de jóias e em outras coisas com o meu pai. Fui servente de pedreiro e montador de jóias. Não gosto nem de lembrar porque foi uma fase sofrida”.

Tem gosto pelo futebol?
LEANDRÃO
– “Sim... Torço para o São Paulo, assim como toda minha família: meu avô, meu falecido pai, meus irmãos...”
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

1 comentários:

Fernanda Melo disse...

adorei o trocadilho!