Entrevista Wagner Oliveira: “Seria bom demais uma estreia contra o Atlético”

Mineiro da pequena Inhapim (próxima a Ipatinga), Wagner Oliveira chega a Montes Claros aos 51 anos, vindo do Atlético Ibirama, pelo qual foi quarto colocado no Campeonato Catarinense deste ano. Será sua segunda experiência na cidade, já que passou rapidamente pelo Bicho, em 1998, também em um estadual da 1ª Divisão.

Na sua apresentação, aproveitou para explicar melhor o motivo de sua passagem de apenas um mês pelo Montes Claros Futebol Clube. “A falta de estrutura pesou, mas ao mesmo tempo recebi um convite do Joinville para a Série B do Brasileiro e optei pela mudança”.

Como jogador, o então atacante Wagner, revelado pelo América, encerrou a carreira de forma trágica. Era atacante do Guarani de Campinas quando sofreu uma fratura exposta no pé direito, aos 26 anos, em um jogo contra a Portuguesa, pelo Paulista de 1986. À VENETA, ele falou mais a respeito de seu novo desafio no Norte de Minas.



VENETA – Você está vindo de onde e qual a primeira impressão que o Funorte te deixa?
WAGNER
– “Moro hoje em Belo Horizonte, mas trabalhei por último no Atlético de Ibirama, equipe de uma cidade de apenas 15 mil habitantes onde fizemos um excelente trabalho no Campeonato Catarinense com a quarta colocação. Agora, chegando a Montes Claros, esperamos que nesta segunda experiência na cidade possamos ter a felicidade de fazer um elenco forte e determinado. Sabemos da responsabilidade que temos hoje, uma equipe que há quatro anos nem existia e acabou passando por todos os degraus chegando à primeira divisão. Enalteço isso. Que no ano que vem possamos fazer um bom campeonato mineiro”.

VENETA – Qual é o elenco ideal para uma primeira divisão?
WAGNER
– “Acredito que a gente deva trabalhar com até 27 jogadores, obviamente incluindo nomes da base. Uma equipe do nível do Funorte tem que contar com aquele jogador experiente, mas também com aqueles que são promessas do clube. Não tem como você só contratar; vai ter que fazer o próprio atleta pensando mais adiante e o Funorte tem a felicidade de, há dois anos seguidos, participar da Taça São Paulo. Não é com qualquer categoria de base que isso acontece. A base vai nos ajudar e fazer parte do elenco. Se tiver a chance poderá sim ser titular”.

VENETA – Você tem alguma resistência em trazer atletas de outros estados e que não conheçam a realidade em Minas, como grandes distâncias, campos pequenos...
WAGNER
– “Isso é muito relativo. O difícil é você competir com uma região como São Paulo. A maioria dos jogadores tem olhos para lá. Alguns mesmo que viriam para o Funorte estão praticamente acertados com o Oeste de Itápolis. Quando você compete com times das Série A1 e A2, eles preferem São Paulo. Mas o meu pensamento é, independente de qualquer região, que a gente traga o jogador e ele esteja ciente destas distâncias. Isso não é uma coisa só daqui. Em outros estados há também cidades distantes e muitos deles estão acostumados”.

VENETA – O regulamento do Mineiro foi mantido e se a Federação mantiver o formato de tabela, o campeão vai estrear em 2011 contra o segundo colocado no acesso. Ou seja, teríamos a abertura com Atlético x Funorte...
WAGNER
– “Seria demais né? (risos). Muito bom mesmo. Uma motivação a mais, embora saibamos que vamos enfrentar o Atlético e os outros grandes independente do local. Mas se essa estreia diante do Atlético acontecer seria uma maneira de coroar, com chave de ouro, a volta de Montes Claros ao mais importante campeonato de Minas. Isso aumenta a nossa responsabilidade para trabalhar mais, concentrar mais, dedicar mais e, quem sabe, voltar para casa vencendo uma equipe desta grandeza como o Atlético”.

VENETA – Por esse cenário de concorrência, será difícil definir o elenco em tão pouco tempo, mas digamos que 80% do seu grupo esteja pronto até o final das próximas duas semanas. Sua projeção é de começar a pré-temporada quando?
WAGNER
– “Olha, gostaria de iniciar o trabalho a partir do dia 10 ou no máximo no dia 15. Amanhã mesmo faço umas viagens aqui pela região para conhecer condições de campo e hospedagens. É bem provável que a gente faça um trabalho de 15 dias em Janaúba ou outra cidade”.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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