"Sei que não fui bem no América; mas não foi um só problema meu"

Você se remeteu a uma parte muito ruim do seu currículo que foi a campanha à frente do América; onde nada deu certo. Seria um desafio para você voltar a atuar no futebol mineiro?
HÉLIO –
“O treinador sabe quando e porque não vai bem. Passei no América em 97 e sempre digo: olha como foi a minha carreira e olha como o América Mineiro de lá para cá. O problema não foi Hélio dos Anjos, nem os jogadores. Um exemplo: o Álvaro era meu zagueiro e o Gilberto Silva, que estava na zaga e que adaptei de volante naquele ano. O problema não estava nestes profissionais e nem na estrutura. Mas hoje está se recuperando, tem tudo para se recuperar, porque tem camisa para uma segunda Divisão. Acredito que o América vai ser um dos quatro no acesso. O Mauro é um treinador que conhece bem a divisão. Mas esse lance de trabalhar em Minas não tenho isso como objetivo final em minha vida. Se for para treinar um time de Minas isso vai acontecer de maneira natural. Não tenho agente, não tenho empresário, ninguém tem autorização para colocar meu nome em algum grupo. Se algum dia tiver algum convite de Minas Gerais vou estudar com maior carinho, afinal de contas o futebol mineiro é referência. Hoje, a Cidade do Galo tem a melhor estrutura de CT do Brasil. Falar o que então da Toca da Raposa? Isso é referencial. O Atlético é referência pela qualidade de trabalho e em função de um presidente que, muitas vezes é questionado pela emoção, mas é um rapaz muito sério, muito bom para a comissão e para o treinador, porque tem comando do seu clube. Da mesma forma o Cruzeiro, que deu o exemplo de ficar com um treinador por três anos”.

Cruzeiro ficou sem Adilson Batista e a imprensa bateu na tecla que não há novos técnicos de alto nível no Brasil, se restringindo apenas a nomes como Muricy, Leão e Luxemburgo. Na sua análise, mesmo a 15 mil quilômetros do Brasil, há esses novos valores?
HÉLIO –
“A realidade do futebol brasileiro em relação a treinador mudou muito. Os clubes resolveram fazer experiência e, de repente, isso dá certo, segue. Muitas vezes experiência que um clube faz, o treinador sai bem ali, mas não tem a vivência. Não é só ser treinador do Flamengo. Tem que estar preparado para ser técnico do Funorte, assim como do Remo, do Fortaleza, do Flamengo... É muito diferente. Para mim. Os grandes dessa, digamos, juventude de técnicos, são os que trabalham normalmente: o Júnior [Dorival], Mancini [Vagner], o Gallo [Alexandre], que está se fortalecendo no mercado; o Paulo César Gusmão teve um momento conturbado na carreira, mas também está ressurgindo. Acho o Ney Franco já calejado”.

O Ney, assim como Joel Santana recusaram convite do Cruzeiro. Digamos que o Hélio estivesse livre no mercado, aceitaria?
HÉLIO –
“Nenhum dos dois estava livre. O Ney está dando uma demonstração de seriedade muito grande. Caiu com o Coritiba, a diretoria bancou o Ney e ele teve personalidade para encarar a situação e está reerguendo o clube, inclusive com o título estadual. Vai brigar também por uma das quatro vagas até a rodada final, aparado também pela seriedade dos clubes. Da mesma forma o Joel, que saiu de uma seleção e estava desempregado e pegou um Botafogo do jeito que estava e consertou. Se eu estivesse empregado, também não iria, como aconteceu nas duas vezes que o Santos me procurou no ano passado. Mas se você está em casa, a história é diferente. Não é desprestigiar o Cruzeiro, mas é reconhecer quem te prestigia. O comportamento dos dois foi mais em função disso. Cheguei a ser sondado pelo Sport e pelo Atlético Paranaense, mas como estava empregado, recusei”.

Em qual técnico você se espelhou?
HÉLIO –
“O treinador que eu me espelho poucos conhecem: Diede Lameiro, que trabalhou mais no interior de Minas, que era muito organizado. Toda parte de gerenciamento que eu usei nos clubes foi dele que peguei. Mas uma das conversas mais ricas que tive no futebol foi em um hotel em Curitiba, onde tive a oportunidade de falar com Rubens Minelli e Valdir de Moraes, estava começando na carreira. Eles trabalham no Paraná naquela época, que varou a madrugada”.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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