Título não veio, mas reconhecimento sim! Montes Claros recebe três prêmios

O Bonsucesso/Montes Claros não conseguiu se tornar mais um estreante campeão da Superliga Nacional de Vôlei. Perdeu para o Cimed/Malwee por três sets a zero, agora há pouco, no Ibirapuera, em São Paulo, e teve que se contentar com o vice-campeonato. A compensação veio com a premiação dos destaques individuais. O melhor representante de Minas na temporada teve nada menos do que meia seleção da Superliga: Rodriguinho (melhor levantador), Brendle (melhor líbero) e Lorena (melhor atacante).

Exatamente a metade das arquibancadas do maior ginásio paulista era de torcedores do Montes Claros, seja daqueles que enfrentaram 16 horas de estrada ou mesmo os familiares dos jogadores que vieram de várias partes do País ou, ainda, paulistas simpatizantes, mesmo sem qualquer vínculo com a maior cidade do Norte de Minas.

Mas para os torcedores, independente da derrota na final, o time já mereceu ser aplaudido só de ter chegado à final. A delegação vai chegar a Montes Claros na tarde deste domingo.


O nervosismo pôde justificar a derrota, pois o Montes Claros mostrou-se extremamente independente do fundamento que o fez a sensação da Superliga: ataque. Marcos Pacheco, técnico campeão com o Cimed, contou depois qual foi a receita para derrubar Lorena e companhia: “estudamos todos os jogadores. O Lorena me fez perder praticamente uma semana de sono (risos), mas são sacrifícios que valem a pena”.

Daí porque o time foi bem marcado e não teve nem mesmo como mostrar variações capaz de dar mais trabalho ao time catarinense. É bem verdade que a experiência em finais pesou a favor do Cimed, que agora chega ao seu quinto título em quatro anos.

Capitão do time, o levantador Rodriguinho, na véspera, deixou transparecer que o time iria para quadra com um friozinho na barriga por se tratar de uma final de um projeto novo, o que foi confirmado pela instabilidade. Somente nos primeiros minutos do set inicial conseguiu fazer jus ao que a torcida esperava. Chegou a abrir cinco pontos (7x2), com Salsa e Piá como maiores pontuadores. Mas já o nono ponto, o Cimed chegou ao empate.

FRASES

“Só de estar aqui me considero um privilegiado. Nunca fui tão longe em uma Superliga”
Cristovão, levantador

“Pesou a experiência do outro lado e, de cá, o nosso controle emocional”
Chiquita, auxiliar técnico

“Tudo o que aconteceu com o Montes Claros vai ficar marcado para sempre em minha vida. Diria que uma gratidão eterna”.
Lorena

“O Cimed soube usar sua experiência! Além de ter sido mais eficiente, foi mais tranquilo taticamente. Acho que o Montes Claros até que tentou se superar, mas a empolgação só não foi suficiente”
Rodrigão, da seleção brasileira, que assistiu o jogo das tribunas do Ibirapuera como atleta do Pinheiros (convidados especiais para a premiação de 3º lugar da Superliga)

“Troco a minha taça (de melhor levantador da Superliga) pela dele, de campeão. Era um sonho, mas prometo estar de volta a uma final na próxima Superliga”.
Rodriguinho, sobre a taça que Bruninho levou para casa como campeão brasileiro

BRUNINHO: "O Montes Claros é uma realidade: não pode ser considerado surpresa"

Do adversário também veio o mérito pela campanha do Montes Claros em sua primeira Superliga. O levantador Bruninho, eleito o melhor jogador da final, ratificou o prêmio que Rodriguinho recebeu como o melhor de sua posição e acredita que ele tenha reais condições de brigar por uma vaga na Seleção Brasileira, apesar de considerar a safra de levantadores como “excepcional”.


O Montes Claros te surpreendeu de alguma forma?
BRUNINHO – “Não. A Superliga foi muito boa tecnicamente e muitos times tinham condições de estar aqui, como fez o próprio Cimed e o Montes Claros. A equipe é muito homogênea; o Talmo soube trabalhar todos os jogadores e essa regularidade de grupo foi o que fez do time um finalista de qualidade”.

O prêmio de melhor levantador ficou para o Rodriguinho...
BRUNINHO – “Ele mereceu... Jogou muito a Superliga inteira. Não há como não reconhecer isso, mas se quer saber, não tenho inveja do troféu dele (risos). Acho que levar o de campeão para casa é mais emocionante”.

Tem gente que acha que ele deveria estar na seleção...
BRUNINHO – “Tem de sobra qualidade para isso! O Rodriguinho vem de duas temporadas muito boas na Itália, mesmo em um time de pouca expressão. Mas antes, ainda no Banespa, já estava se destacando pela inteligência no jogo. Acho que o azar dele foi aparecer na época de tantos bons levantadores; estar na sombra de gente como o Ricardinho, Maurício, Marcelinho...”.

LUCÃO: "Para vencer, estudamos jogador por jogador"


Outro nome importante na conquista do Cimed, Lucão considerou o título como o mais importante dos cinco que o clube tem em sua curta história, justamente por esta ter sido a superliga mais equilibrada da história. A receita da vitória, para ele, veio com o equilíbrio emocional e com o estudo tático do Montes Claros.

Um título é mais importante que o outro?
LUCÃO – “Acho que este sim. Não há como negar que esta foi a superliga mais disputada de todos os tempos. Todos os oito times classificados teriam condições de ter chegado a esta final. Além de tudo isso, o Cimed consegue atingir a marca do Minas, que venceu três vezes seguidas ainda nos anos 80”.

O time parecia prever o que o Montes Claros faria em quadra...
LUCÃO – “Cara, foi uma marcação pesada. A comissão técnica fez uma análise de jogador por jogador, potencializando alguns dos erros que o Montes Claros cometeu na Superliga”.

Você fez uma aposta com o Acácio...
LUCÃO – “É verdade. Somos amigos e fizemos uma fezinha antes da final para que o perdedor assumisse o compromisso de doar quinze cestas básicas. Mas o mais importante é que uma pessoa que esteja necessitando será presenteada com isso”.

Os seus estilos são parecidos, a superstição também, já que o Acácio negou-se a fazer a barba e cortar o cabelo antes da final acreditando ser isso seu amuleto...
LUCÃO – “(risos) A medida que ela foi crescendo, a gente foi ganhando e chegando até a final. Então resolvi deixar aí acreditando que seria mesmo isso que você disse: um amuleto”. (fotos: Alexandre Arruda/CBV)
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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