O 100% do ciclismo: quem vai parar Zé Luís Oliveira Franco?

FENÔMENO

Não seria exagero apontar José Luís Oliveira Franco como uma espécie de fenômeno do ciclismo regional em 2010. Até agora, ele venceu todas as provas do Campeonato Norte-mineiro – categoria Elite – e lidera, com uma folga de 44 pontos, o ranking Bicimax. O curioso é que ele veio de uma outra categoria da modalidade. Oriundo do Mountain Bike, ele recorreu ao estilo "Speed" para ganhar resistência, mas tomou gosto e, ao invés de apenas competir, passou a brigar pelo pódio e, melhor: vencer.



O inevitável apelido de Zé vem dos companheiros de pedal. Aos 25 anos, a rotina de vida não é apenas de atleta. "Quem me dera viver só do esporte. Ainda sonho com isso, mas por enquanto não posso ser assim", comentou o atual líder da principal competição do pedal.


LÁ DO SUL

Nascido em Campestre, Sul de Minas, José Luís divide os treinos e provas com o trabalho de mecânico e as aulas do terceiro ano do curso de radiologia, além de uns "bicos" em panfletagens. A média é de duas horas diárias de treino, de segunda a sexta-feira, a partir das 16h30. Logo depois, vai para as aulas.
No sábado, já que manter o ritmo é importante, a maratona de treinamento começa cedo, entre as cinco e seis horas. A carga é mais pesada com até cinco horas de pedaladas – algo em torno de 120 quilômetros. A folga mesmo acontece no domingo (quando não há provas).

AJUDA

Em 2010, confessou Zé, a situação melhorou um pouco e deixou de ser o próprio patrocinador. "Algumas empresas estão acreditando no meu trabalho e, com isso, tenho uma renda fixa e passo a ter uma motivação maior para competir", disse o ciclista, agora apoiado pelas Óticas Diniz, Auto Escola União, Cefetri Escola de Radiologia, Arte em Troféus e Elite Car. Com a nova ajuda financeira, passa a apostar não apenas nas provas regionais, mas em etapas oficiais do Campeonato Mineiro. "Sei que vai ter que ser uma coisa de cada vez, mas essa força dos patrocinadores já me permite pensar em disputar uma ou duas provas do Mineiro".

SURPRESO COM ELE MESMO

O desempenho de cinco vitórias em cinco provas surpreendente até o próprio ciclista. "A gente treina dessa forma é para tentar os melhores resultados, mas estou surpreso por ter vencido todas as corridas até agora", comentou Franco. Sobre alguma tática, garante que "manter o ritmo faz a diferença", embora seja complicado por causa do nível de dificuldades das etapas.


PINGUE PONGUE

Esperava vencer as cinco provas?

JOSÉ LUÍS FRANCO – "A gente sempre treina para melhorar o rendimento, mas, sinceramente, não achei que fosse capaz de ser o primeiro em todas elas".

Há quanto tempo você compete?
JOSÉ LUÍS – "Sete anos, o que é relativamente pouco em relação aos demais ciclistas daqui. Por isso, acho que estou bem até demais".

Você saiu do MtB e foi para o ciclismo speed, porque?
JOSÉ LUÍS – "Não cheguei a sair. Continuo competindo nos dois estilos. Mas é importante conciliar porque um completa o outro. O Mountain Bike exige mais força, enquanto o Speed te proporciona mais resistência. Até disputei uma prova de MtB por agora..."

Mas que prova foi essa? Além de queimar a energia no ciclismo ainda encarou as trilhas longe de Montes Claros?
JOSÉ LUÍS – "Pois é... Por enquanto, a gente consegue dar conta do recado. Foi uma corrida em Nova Serrana, que recebeu os melhores corredores do País. Aliás, Minas é o berço do Mountain Bike no Brasil. Poderia competir na categoria Sub-30, mas optei pela Elite, por causa do nível técnico mais forte. Fui o sétimo. Se estivesse na Sub-30, teria feito o segundo melhor tempo".

Está chegando mais uma edição do Grande Prêmio Cidade de Montes Claros, prova projeção nacional, no dia três de julho próximo. No ano passado, nenhum ciclista da cidade chegou ao final. Agora, você como líder do Norte-mineiro e sem a preocupação com os patrocínios, acha que consegue beliscar algo?
JOSÉ LUÍS – "Mesmo sendo um lugar que a gente conhece como a palma da mão, pode ter certeza de que tudo será difícil. Além de ser de nível nacional, este é um GP para equipes, com quatro pessoas correndo para ajudar um. Fazem o revezamento para dar condições àquele de melhor ritmo. Esse é o grande detalhe: a gente corre sozinho e tem que forçar sempre. Além disso, o circuito plano ele exige ataque o tempo todo".
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

1 comentários:

Anônimo disse...

Legal saber que você também está de olho no ciclismo. Tem uma turma legal na batalha, tanto no mountain bike quanto no speed. E Zé Luís, a exemplo de outros que se dedicam todo dia aos treinos, merece muito os bons resultados que tem conquistado.
O dia em que colocarem na Secretaria de Esportes alguém que REALMENTE acompanhe o esporte e não somente a política, vamos descobrir que existem muitos outros "Zé´s" por aí, no ciclismo e em outras modalidades esportivas.
A "ELITE" da nossa política, infelizmente, ainda nem sonha nem mesmo quer enxergar a ELITE do nosso esporte.
abs
Ricardo Freitas
www.moctube.blogspot.com