Eita Vôlei: Sada, saga, epopeia, livro, Copa América e prêmio à torcida

TARDOU MAS CHEGOU

NADA QUE SEJA DESCULPA
, mas por outros compromissos tive que atrasar nas postagens aqui na Veneta sobre a vitória do Montes Claros/Funadem em seu terceiro jogo dos play-offs contra o Brasil Vôlei Clube, em casa. Além é claro, de outros pontos de interesse do esporte local e regional. Paciência; ossos do ofício, mas nada que comprometa a informação; fica a promessa de notícias em primeira mão nas linhas a seguir, ok?

NADA IGUAL

QUEM ACREDITAVA NOS
mesmos 3 a 0 do primeiro jogo da série, enganou-se, quebrou a cara; mesmo. Aliás, naquela quarta-feira da semana passada, os jogadores e técnicos já avisavam que o placar era mentiroso pela qualidade técnica que a partida teve do início ao fim. E as parciais mostraram isso: a maior diferença n'elas foi de apenas três pontos. O segundo confronto, no ABC Paulista, sábado passado, apenas comprovou.

VIRADA

A VITÓRIA MONTES-CLARENSE
por três sets a dois, parciais de 25/21, 18/25, 21/25, 25/23 e 15/12 em duas horas e 22 minutos. Lorena com 25 e o visitante Tuba, com 27, foram os dois maiores pontuadores da noite. A virada chegou a ser inacreditável porque o time já estava atrás no placar geral (BVC 2x1 MOC) e perdia o 4º set por 11x15.


CRÍTICO

ALIÁS, NA
avaliação do capitão Rodriguinho e do ponteiro Piá, extremamente estafados ao final do jogo – ao ponto de se deitarem na quadra para recuperar o fôlego e deixarem os cumprimentos para depois –, esse foi o momento mais crítico de todo o jogo. “Cara, essa é a chamada volta por cima, literalmente”, disse o levantador.


AGORA

A PRÓXIMA etapa terá o Sada/Cruzeiro como adversário, a começar pelo sábado, em Itabira, casa que o time estrelado escolheu. Nos duelos da primeira fase, uma vitória para cada lado, ambas por 3 a 2. A Raposa é o maior rival do Montes Claros em sua curta existência.

CHUVA OU DENEUVE

DIRIA QUE
um conjunto de fatores contribuiu para a feitura da saga. Falar em força de vontade, raça e até mesmo sorte é, como diz Felipe Gabrich, “chover no molhado” ou chamar “Catherine Deneuve de diva”.

EM EQUIPE

UM DESSES
fatores estava na ousadia do auxiliar técnico Chiquita, quem assumiu a missão maestrina à beira da quadra com a suspensão de Talmo de Oliveira. Mesmo orientado via rádio, coube a ele pôr ordem na casa. Assim, teve a autonomia para fazer as variações com os ponteiros, anulando a marcação do bloqueio do BVC (o mais eficiente da Superliga).

RECLUSO

O TREINADOR, advertido e posteriormente suspenso no segundo jogo da série, sábado passado em São Bernardo, foi avistado em vários lugares do Poliesportivo sem ao menos estar neles (olha aí uma lenda urbana). Na verdade, ficou em um só lugar: foi obrigado a se trancar em uma sala do próprio ginásio, acompanhando a transmissão pela TV fechada e ‘trocando figurinhas’ pelo rádio com o preparador físico Guilherme Berriel, que fez as vezes de porta-voz para Chiquita. Na partida que vem, diante do Cruzeiro, Talmo volta. (foto: Rubem Ribeiro)

NOVO TORCEDOR

O PODER DE
convencimento pelo mérito da vitória foi tamanho que o levantador Fidele, destaque inegável do time do BVC, mudou de lado logo após o bloqueio de Acácio que culminou na vitória montes-clarense no tie-break por 15 a 12.
ENTRE OS 4 semifinalistas, vai torcer pelo Montes Claros. Primeiro: “foi o time que eliminou a gente” (seria como ter a consolação de ter saído da Superliga por causa do time campeão);
SEGUNDO: “é uma equipe nova e que está construindo sua história (enquanto o BVC está fechando as portas por falta de patrocinador);
TERCEIRO: “por essa torcida; ninguém acredita que isso esteja acontecendo em um jogo de vôlei sem ser da seleção” (Fidele completa em 2010 nove anos de BVC, portanto, motivos para comparar é o que não lhe falta).

EPOPÉIA

SINCERAMENTE
por tudo o que aconteceu, o terceiro jogo entre Montes Claros e Brasil Vôlei, ontem à noite, que os donos da casa venceram por três a dois, pode ser comparado a uma epopéia para quem esteve dentro e fora de quadra.
RECORDE MÁXIMO de público, virada de sets e dentro dos sets, filas intermináveis, ingressos falsos, choro de quem não entrou mesmo com o bilhete legal, de quem foi enganado pelos famigerados cambistas, de quem ficou perdido dos amigos, do namorado (a) e da família pela lotação geral e, ainda, dos jogadores...

BASTIDORES, MEU CARO

AINDA, AQUELES QUE
ficaram na área de serviço ao lado da quadra pela falta de lugares; os ‘quase enfartados’ que foram atendidos pela UTI Móvel ali mesmo no ginásio;
AS PROVOCAÇÕES DO então (ou mesmo ex) ídolo selecionável Serginho com a torcida – e vice-versa -, o improviso do técnico Chiquita com a suspensão de Talmo; os erros do árbitro; o ingresso antecipado de R$3 que custou R$ 50 na porta do ginásio;
AS MENINAS de Januária que se contentaram em apenas ouvir os gritos da torcida como narração do jogo que não viram; os botecos, bares, restaurantes e até shoppings cheios com a transmissão do duelo pela TV a cabo;
AS CAMISAS de Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e – porque não, do Funorte – lado a lado torcendo pelo mesmo time

UM LIVRO

DARIA, SEM DÚVIDAS
, material para um bom livro. Teve mesmo “sintomas de final” – o perdedor foi eliminado e pode até fechar as portas. Faltou – apenas – ser a decisão propriamente dita pelo título máximo da Superliga Nacional de Vôlei para o apogeu do enredo. Para evidenciar a grandeza do fato, havia exatas 8319 pessoas espremidas dentro do ginásio e outras 1,5 mil desoladas do lado de fora.

VAI OU NÃO VAI?

A TORCIDA DO
Bonsucesso/Montes Claros/Funadem se organiza para a primeira semifinal da Superliga Nacional, contra o Cruzeiro, em Itabira, sábado agora, mas resta saber, primeiro, quantos ingressos o Sada/Cruzeiro vai reservar a eles - e se há esse acordo de cavalheiros. A capacidade do ginásio da terra de Carlos Drummond de Andrade é de 4,3 mil e detém a segunda melhor média de público da Superliga Nacional.

CONTINENTAL

DEPOIS DA TEMPESTADE
, a bonança. Entre os quatro primeiros colocados da principal competição brasileira de vôlei, o Montes Claros já disputa a semifinal com a vaga garantida na próxima edição da Copa América de Clubes, provavelmente entre setembro/outubro, ainda sem sede definida.

ISSO: A LIBERTADORES

A COPA AMÉRICA
é, guardada as devidas proporções, a Libertadores do Vôlei. Reúne os quatro melhores do Brasil, os três primeiros da Argentina, um do Chile, outro do Peru, da Colômbia e da Venezuela.

FINANCEIRAMENTE FALANDO

QUER MAIS
recompensas pela boa campanha logo na primeira Superliga do Montes Claros? A CBV reserva uma premiação especial em dinheiro aos times com as melhores médias de público. É uma forma de repartir a cota que recebe –sozinha - da TV para as transmissões. Com exatos 98.208 pessoas em 18 jogos na cidade, o time massacra os demais concorrentes neste quesito. A média é de 5456 por partida. (foto: Rubem Ribeiro)
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

1 comentários:

Igor Tadeu disse...

O jogo foi mais traumático que final de Copa do Mundo. Ainda bem que deu tudo certo! Torço para que o Montes Claros não tenha nunca o mesmo fim trágico do BVC por falta de patrocínio.