A vitória mais fácil até agora; Lorena Seleção

Improvisação de líbero e outras experiências no time titular não mudaram postura ofensiva do Montes Claros/Funadem na vitória sobre o Upis/Brasília

Em mais uma quebra de recorde de público da Superliga Nacional de Vôlei, o Montes Claros/Funadem venceu o Upis/Brasília por três a zero (25/19, 25/19 e 25/18), terça-feira à noite, no Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves. Foram exatas 7.313 pessoas que acompanharam a última apresentação do time no ano, que rendeu-lhe uma ascensão de quatro posições na classificação geral. Agora, é o sexto colocado com 11 pontos, cinco a menos que o líder Cimed/Florianópolis, que tem dois jogos a mais.

Todos os cinco melhores públicos da competição são do Poliesportivo do bairro Monte Carmelo, que receberá outra partida somente no dia 14 de janeiro, às 19 horas, contra o então líder Cimed. Depois da vitória de anteontem, os jogadores e comissão técnica ganharam folga até o domingo (3), para o reveillon, mas, curiosamente, nem todos viajaram. Piá, Rodriguinho e Deivid, por exemplo, permaneceram em Montes Claros.

Antes de enfrentar os catarinenses, há mais dois compromissos longe de casa: Voltaço, dia 7, em Volta Redonda/RJ; e Álvares Cabral, dia 9, em Vitória/ES.

FRACO – Há uma semana, o Funvic/Cuiabá já havia jogado na cidade e se tratando de o time com os atletas mais jovens da competição, pouca resistência ofereceu ao Montes Claros. Mas o Upis/Brasília, da Capital Federal, conseguiu ser o mais fraco entre os adversários que já vieram ao Norte de Minas. Somente na metade do terceiro set puderam curtir segundos à frente do placar (apenas um ponto – 10x11), mas situação que aconteceu mais por erros de saque do Funadem do que pelas jogadas trabalhadas ou qualquer outro tipo de variação de ataque.

MUDANÇAS – Ciente de que a vitória era questão de tempo, o técnico Talmo de Oliveira já fez as experiências desde o primeiro minuto: o oposto Rodrigo Canhoto (foto ao lado) fez a função de líbero, já que o titular Thiago Brendle foi poupado. Como central, Tiago Salsa entrou no sexteto titular e Deivid, que já havia desfalcado o time por causa de problemas no joelho, ficou como opção de banco. Nenhuma das duas mudanças comprometeu o poderio de ataque montes-clarense.

O jogo foi decidido em apenas um hora e 21 minutos e teve o oposto Lorena e o ponteiro Diogo como os maiores pontuadores: 17 e 16 acertos, respectivamente. Se o levantador Rodriguinho já surpreendia com os pontos de bloqueio, Ezinho não deixou por menos e fez o seu da mesma maneira. Outro diferencial nesse confronto foi o saque. O time fez dez aces, sendo sete de Lorena – cinco no terceiro set –, dois de Acácio e um do próprio Diogo.
FICHA: Montes Claros – Lorena, Rodriguinho, Acácio, Salsa, Diogo e Ezinho – líbero Canhoto. Entraram ainda Leozão e Piá. Brasília – Leandrão, Fabiano, Aurivam, Caio, Toninho e Issa – líbero Marlon. Entraram Rildo, Leander, Boca, Mudo e Marcão. (fotos: Rubem Ribeiro)

Recado para Bernardinho: "Lorena seleção"

Quando executou o quinto dos seus sete saques diretos (aces) na vitória sobre o Upis/Brasília, nessa terça-feira, o oposto Lorena foi ovacionado pela torcida de uma forma que ainda não havia acontecido nos outros quatro jogos do time em casa: "É Seleção; É Seleção!".

Se forem analisados os números individuais na Superliga até agora, o jogador realmente tem motivos para chamar a atenção do técnico Bernardinho e brigar por uma vaga no selecionado brasileiro.

Em seis partidas – duas a menos que os três primeiros colocados na classificação geral –, ele fez 114 pontos e aparece como o terceiro maior pontuador da Superliga. Cortina, do modesto Soya/Blumenau (10º colocado com apenas duas vitórias), o líder com 141 pontos, já fez oito jogos. Nos aces, linguagem específica para o ponto de saque direto, Lorena aparece soberano: 18 acertos contra apenas 10 de André Nascimento (Vivo/Minas), que aparece na segunda colocação.

O jogador, (na foto fazendo a pose do "V" da vitória ao lado de Leozão, Piá e Diogo) conversou com a VENETA ao final do jogo e acredita que uma boa campanha na Superliga pode render a ele e a outros jogadores do Montes Claros/Funadem um lugar na lista de Bernardinho. (foto: Orlando Bento)

A torcida pediu a sua convocação para a Seleção Brasileira...
LORENA
– "Fico feliz com esse carinho da torcida, que tem ajudado muito na campanha do nosso time, mas tudo o que está acontecendo é fruto de muito trabalho; não fiz nada sozinho".

Quando começou no vôlei?
LORENA
– "Tinha 14 anos e fui convocado para a seleção de minha cidade [Lorena, interior de São Paulo, a 203 quilômetros da capital]. Um ano depois, fiz um teste para as categorias de base do Banespa e fui aprovado".

E você já esteve alguma vez na seleção brasileira?
LORENA
– "Não, nem na base".

Nenhuma vez? Mas, no jogo contra o Sesi/SP, o primeiro em casa, você recebeu elogios do Giovanni Gávio sobre a qualidade técnica, então, não é de hoje que anda descendo o braço. O que ele disse deu a impressão de que você já havia sido convocado pelo menos uma vez?
LORENA
– (risos) "Estive em outras seleções: a de Lorena, quando tinha 14 anos, e a Seleção Paulista Juvenil, já quando era jogador do Banespa. Até que fiz uma campanha boa, mas por causa de um estiramento muscular na perna direita, fui cortado do time estadual e perdi a chance de aparecer mais para tentar a seleção brasileira daquela categoria".

Agora, foram nada menos do que sete pontos diretos de saque contra o Upis/Brasília. Essa é a sua melhor performance?
LORENA
– "Não me lembro, mas acho que essa deve ser mesmo uma das melhores performances. Penso que para arriscar o saque como fiz hoje (anteontem) é preciso estar confiante; e me sinto assim".

Réveillon vai ser na terrinha?
LORENA
– "Não, vou passar com amigos em Belo Horizonte; mais perto. No dia 3, a gente já tem que voltar".

Equipe de vôlei receberá o 'oscar' do esporte mineiro

Categoria especial do troféu Telê Santana será entregue ao Montes Claros/Funadem pela conquista do estadual


O Montes Claros/Funadem vai receber o 'oscar' do esporte mineiro. Por causa da conquista do Campeonato Estadual de Vôlei, o primeiro título de sua curta história, o clube foi anunciado pela TV Alterosa (SBT) como um dos agraciados com o troféu Telê Santana/2009. A solenidade de entrega acontecerá no dia 1º de fevereiro, às 20 horas, no Palácio das Artes, com a presença do governador, Aécio Neves. Esta é a segunda vez que um clube da cidade está sendo condecorado com o prêmio. Como ganhador do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão de 2008, o time profissional do Funorte receber o prêmio no evento deste ano.

Na tarde de terça, o editor-geral e apresentador do Alterosa Esporte (AE), Leopoldo Siqueira, conversou com a VENETA e destacou que o projeto de criação do time "foi um dos fatos mais marcantes do ano esportivo em Minas Gerais". Também coordenador do prêmio que leva o nome do ex-treinador Telê Santana, ele explica que o troféu é dirigido às maiores expressões do esporte mineiro, tendo o futebol como carro-chefe.

"Resolvemos criar estar categoria especial neste ano por toda a situação que o time alcançou, mas, claro, como reconhecimento à modalidade e ao trabalho que os dirigentes, atletas e principalmente a torcida vem fazendo em Montes Claros", completou o jornalista. Segundo Leopoldo, ao contrário do que acontece com o futebol, para o qual há a eleição dos melhores de cada posição, a entrega do troféu ao time de vôlei será de forma direta. "Não houve votação; é uma homenagem".

FUTEBOL

O apresentador reconheceu que Montes Claros, assim como outras grandes cidades do interior de Minas, sempre teve um envolvimento maior com o futebol, mas ao contrário dos outros centros, como Governador Valadares, Juiz de Fora, Uberlândia e Uberaba, não tem uma equipe de tradição em atividade. "Além da falta de um estádio de maior porte, não há um projeto permanente como o Tupi, o Uberlândia e o Democrata, por exemplo", observou Siqueira, mas deixando a entender que o Funorte, com o seu projeto iniciado há pouco mais de dois anos, poderá preencher essa lacuna.

"Todo ano se discute formas e fórmulas de mudar isso ou aquilo dentro de um campeonato, mas pouco ou praticamente nada falam de dar estrutura aos clubes ou as cidades para ter uma equipe competitiva. Penso que o vôlei, na concepção de seu projeto, deixa uma lição nesse sentido", concluiu.

CARTA – Até a semana que vem, a direção do Montes Claros/Funadem será comunicada oficialmente sobre a entrega do prêmio. O troféu Telê Santana foi criado em 2000 pela TV Alterosa e os Diários Associados, que contam, ainda, com os jornais Estado de Minas e Aqui, além da Rádio Guarani FM. "Sem sombra de dúvidas, o vôlei tem ajudado não somente a cidade de Montes Claros, mas também o estado de Minas Gerais a ser projetado nacionalmente. Isso, é claro, merece todo o reconhecimento possível", finalizou Leopoldo. (foto: Orlando Bento)

Título veio com virada no Minas

O Campeonato Mineiro foi o terceiro título do currículo do Funadem, mas o primeiro oficial. Antes do Estadual, o time conquistou o Circuito Internacional na AABB/Montes Claros e o Desafio Globominas, um torneio organizado pela emissora na Arena JK, do Minas Tênis Clube (BH). Nessa última competição, conseguiu bater nada menos que os três melhores times da última edição da Superliga Nacional: Cimed/Florianópolis e Vivo/Minas, ambos na primeira fase, e o Sada/Cruzeiro na final.

Na campanha do Campeonato Estadual, o Funadem fez quatro jogos, com duas vitórias e duas derrotas. Na final, venceu o Vivo/Minas por três a dois, de virada. O número de partidas poderia ter sido maior, já que o time teria de disputar dois circuitos antes da fase eliminatória, mas o segundo deles foi cancelado por causa da desistência das equipes de São Joaquim de Bicas e do Fátima/Medquímica/UCS, que entrou no Mineiro como convidada.

O time fez apenas os dois jogos válidos pelo segundo circuito – o terceiro foi cancelado e do primeiro ele não participou por força do regulamento. Foi derrotado em ambos (2x3 Sada e 0x3 Minas) e, assim, classificou-se em terceiro lugar para as semifinais do Mineiro. Mais uma vez teve o Sada/Cruzeiro pela frente, mas conseguiu vencer: 3 a 2, de virada, garantindo a vaga para a final contra o Vivo/Minas, que havia vencido a Politécnica/Uberlândia na outra semifinal por fáceis 3/0.

Contra o Minas, o time levou a sua torcida: quatro ônibus seguiram do Norte de Minas para a Capital e acompanharam a vitória de virada sobre o tradicional clube da Capital: 3 sets a 2 com parciais de 20/25, 23/25, 25/12, 25/23 e 15/10, em 2 horas e 6 minutos de jogo.
Compartilhar no Google Plus

Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

0 comentários: