José Maria Pena: técnico já subiu três do Módulo II

Aos 60 anos e com fama de ser um enérgico, o técnico José Maria Pena chega para seu primeiro trabalho em um clube profissional do Norte de Minas. Mesmo com o assédio de times tradicionais, fez a opção por um clube novo. Vai comandar o Funorte em sua segunda temporada no Módulo II do Campeonato Mineiro.

A briga por uma das duas vagas de acesso à elite de 2011 começa no dia seis de fevereiro próximo, contra o Tricordiano, em Três Corações, pela Chave A. Até lá, prevê muito trabalho. Mesmo com os atletas indicados por ele – alguns já contratados pela diretoria do clube -, Pena precisará de tempo e treinos para conhecer todo o grupo. Na semana passada, enquanto assistia o duelo de juniores do FEC e o Cruzeiro, o "quase avô" José Maria – o 1º neto, filho do primogênito nasce daqui poucos meses – conversou com a Veneta e falou sobre a carreira, do motivo pela escolha do Funorte e alguns detalhes dos bastidores do futebol mineiro. "Gosto de trabalhar com quem é daqui de Minas", enfatizou.


Uberlândia, Democrata de Governador Valadares e a URT, todos subiram por suas mãos: sua especialidade é o acesso?

PENA – "Trabalhei três vezes no Módulo II e consegui o acesso em todas. O que eu fiz na URT neste ano não conta; foram apenas dois jogos e não havia a mínima condição de continuar por lá! Como há duas vagas para subir no ano que vem, o título torna-se consequência, mas para isso é preciso ter um grupo bom, coeso e comprometido com o objetivo. Em todos os casos foi assim que trabalhei. Aqui, tive a garantia do clube de que as coisas vão acontecer da mesma maneira".

Você está indicando uma série de contratações. São jogadores mineiros ou vai apostar em gente de fora?

PENA – "Tenho absoluta preferência por jogadores do Estado, que já conhecem os campos onde vão jogar, as distâncias, estilo de arbitragem e os adversários. O perfil do mineiro é melhor para uma competição dura como é o Módulo II. Se você traz um cara de fora, ele começa a reclamar da viagem longa, do campo e acaba virando um desagregador".

E como são estes jogadores indicados por você ao clube?

PENA
– "Gosto de trabalhar com quem conheço, é acostumado ao tipo de competição e todos têm este perfil".

Jogaria com três zagueiros?

PENA
– "Não gosto deste esquema. Sou adepto do 4-4-2. Só mudaria em caso de extrema necessidade, mas vou fazer de tudo para isso não acontecer".

O Erivelto Martins fez uma campanha excepcional com o time júnior, terminando o Mineiro em terceiro lugar e à frente do Atlético. Já conversaram sobre este ou aquele jogador que pode ser aproveitado no profissional?

PENA
– "O Erivelto foi meu técnico no Atlético quando coordenei o departamento das categorias de base em 2001; e por seis anos. Conheço seu trabalho e sua competência, mas, independente disso, sempre trabalhei com olhos voltados para a garotada. É bom que saibam que estão sendo observados, um por um, e a chance de utilizá-los é muito grande".

Neste ano, o Módulo II foi sacrificante, com jogos sempre às quartas e domingos atendendo a um pedido do Ipatinga para evitar coincidência de datas com a Série B do Brasileiro. Em 2010, o Tigre está em outra divisão...

PENA
– "Chega a ser desumano. Acompanhei isso de perto, pois comandei a URT em dois jogos. Além desse problema, percebi que o grupo de lá não queria chegar a lugar algum, era limitado e pedi para sair. Não sei trabalhar sem condições. Você só pode ser cobrado se tiver boas condições de trabalho. Para o ano que vem, a promessa é de uma tabela mais tranquila, com apenas sete jogos intermediários [durante a semana]. Melhor para programar as viagens, recuperar o atleta..."

Você aprovaria um pacote de reforços vindo de um dos grandes clubes da Capital, do tipo juniores que estouraram idade?

PENA
– "É complicado, porque jogador que está em um grande clube tem resistência em jogar no interior, ainda mais na Segunda Divisão como é o Módulo II na prática. Acha que perde visibilidade e passa a reclamar de tudo: campo, calor... Não quero ninguém assim. Então, acho bem melhor trabalhar com o que a gente tem. O time júnior do Funorte provou que não deve nada a ninguém. O que nos temos aqui equipara-se em qualidade técnica ao que o Cruzeiro, por exemplo, tem. Vi o Cruzeiro jogar e sei o que estou falando".

Nas últimas competições, o Funorte teve que apelar às improvisações diante de tantos desfalques. É seu estilo improvisar?

PENA
– "É bom recorrer aos especialistas da posição, porque assim você pode exigir o que sabe que o jogador está acostumado a fazer; e para fazer variações, tem que ter no grupo alguém bom para isso. Penso que o melhor é montar um grupo com pelo menos duas boas opções para cada setor e, se necessário, recorrer também aos especialistas da base para compensar os desfalques". (Foto: Wilson Medeiros)
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

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