Evangélicos sem bola, encontro dos ex-atletas, o causo de Lerão e o vôlei na Folha

APLAUDIDA principalmente pelo poder de mobilização das igrejas e dos grupos de fiéis, os primeiros Jogos Evangélicos sofreram, nesta sexta-feira, uma baixa que merece ser registrada. Abraçada pela Prefeitura, a promoção teve que suspender o torneio de futebol – justamente a segunda modalidade com o maior número de equipes – por falta de campo. Nenhuma opção foi apresentada e resolveram, então, cortar o mal pela raiz.

INSTIGANDO A HISTÓRIA


O mais recente encontro no Free Chopp, nessa quinta-feira

O 7º ENCONTRO DOS Ex-Atletas, realizado na quinta à noite, no Restaurante Free Chopp – aqui ao lado do JN, no bairro São José, sob o comando do amigo e leitor de Rogério Rebello – , cumpriu sua missão de instigar a história do esporte local. Pelo menos 100 ex-jogadores foram ao chamamento de Denarte, Nuna, Mando, José Carlos Gomes e companhia. A velha guarda apareceu em peso e, nela, como forma de homenagem, destacaria dois ícones: os setentões Tenente e Lerão, que atuaram juntos como zagueiro e goleiro no time titular do Cassimiro na década de 50.

PRECURSOR

BEM EXPANSIVO
, Lerão foi o precursor dos bons goleiros do Cassimiro, que depois teve em suas traves nomes como Bonga e Buião. No início dos anos 50, fez parte do time que tinha, também, Jaiminho, Quinquinha, Alcides, Almerindo e Ponciano, dentre outros. E dele, veio um dos casos mais pitorescos naquela noite.

O CAUSO

O CASSIMIRO FOI
convidado para um amistoso contra o Atalaia, em Januária, nos primeiros meses de 1953. Os organizadores fretaram uma jardineira, mas só na estrada ficaram sabendo que a jabiraca era dirigida por um torcedor do Ateneu – naquele tempo era de terra e, como chovia à época, com muita lama.

E ATOLOU...

"O HOMEM FEZ
questão de procurar todas as poças de lama na estrada para atrasar a viagem e, claro, conseguiu atolar o carro umas duas vezes", nos disse Lerão. O motoca era tão arteiro, segundo ele, que a jardineira já tinha duas cordas amarradas. Não restava outra solução que não fosse colocar os jogadores para puxá-la a cada atolada. Resultado: viajaram a madrugada toda até a chegada em Maria da Cruz, ainda sim para esperar, pela travessia de balsa pelo Velho Chico no manhã seguinte. Como a má vontade do balseiro era igual à do motorista, ficaram por lá umas três horas até retomar a viagem.

CASTIGO... PARA ELES

ENFIM, TRÊS HORAS
depois, chegaram a Januária estafados e debaixo de chuva. E mal sabiam que estava em cima da hora do jogo. Mesmo com tanta água, que não permitia enxergar dez metros à frente, ninguém quis cancelar o amistoso, pois o campo estava cheio e o todo-poderoso Cassimiro era atração esperada para lá de uma semana. O jeito foi entrar em campo e, logo de estalo, Almerindo "Rato Branco" marcou contra para o Atalaia. A provocação foi geral, porque os januarenses haviam prometido ganhar e já estavam à frente. Só que não contavam com a inspiração de Jaiminho que, com um gol em cada tempo, tratou de calar a torcida. Já no dia seguinte, a revanche e, sem as pernas pesadas pelos atoleiros, o mau cochilo de Maria da Cruz e a chuva, o Cassimiro meteu três a um.

NO MAIOR DO PAÍS

ALÉM DA TELA DA
Rede Globo e a de sua sucursal a cabo, o SportTV 1 e 2, os sites especializados e os diários de Beagá, o Montes Claros/Funadem foi parar como destaque no maior jornal do País.
A COLUNISTA CIDA Santos, da Folha de São Paulo, que há 16 anos assina o espaço semanal dedicado ao vôlei, sempre às terças-feiras, escreveu sobre o time montes-clarense. Não o coloca entre os favoritos ao título nacional, por ser novo e ter apenas cinco meses de existência – além de não ter nenhum atleta da atual seleção.
MAS AFAGA IMEDIATAMENTE: o considera como “a pedra no sapato” daqueles que estão bem cotados – enumera seis: Sada/Cruzeiro, Cimed/SC, Vivo/Minas, Brasil Vôlei, Sky/Pinheiros e SESI. E, ainda, é enfática ao justificar a alcunha.
“MESMO SEM ASTROS, o Montes Claros está se especializado em derrubar os bacanas” como foi no Campeonato Mineiro e, agora, na Superliga, diante de Giba, Gustavo e Cia.
Compartilhar no Google Plus

Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

0 comentários: