Falando - e resgatando - sobre o Mocão....


MAIS UM CAPÍTULO

A construção do estádio municipal, que voltou a ser Mocão depois que a idéia de se fazê-lo na Unimontes foi descartada, ganha mais um capítulo. A novela, que não é de Janete Clair, mas dá ibope desde 1971, atravessou nada menos do que 10 administrações, com sete prefeitos diferentes: Pedro Santos, Moacir Lopes, Toninho Rebello, Luiz Tadeu Leite (três mandatos), Mário Ribeiro, Jairo Ataíde (duas vezes) e Athos Avelino.

A HISTÓRIA

E quando a prosa ressurge, fica valendo apenas o fato do dia. As histórias – e até fábulas – que sustentam o sonho de um estádio próprio da cidade, somem, literalmente. Os eternos nostálgicos – esqueça, prezado leitor, dos oportunistas de plantão –, que são poucos, lembram que o projeto nasceu grande, com direito à visita do então presidente da CBD, almirante Heleno Nunes, o mandatário da FMF, coronel José Guilherme, e o engenheiro Gil César Moreira de Abreu, ninguém menos que o ‘pai’ do Mineirão.

PEDRA E A TAÇA JULES RIMET

Não apenas isso. Houve lançamento da pedra fundamental. No limiar dos anos 70, a maior conquista do futebol brasileiro de todos os tempos – com a Seleção do Século de Pelé, Gerson, Tostão e Rivellino – teve sua página montes-clarense, quando a taça Jules Rimet, símbolo máximo do tricampeonato mundial na copa mexicana, veio ‘visitar’ a maior cidade do Norte de Minas, em 1971.

ÉPOCA DE OURO

Não era média de político ou de militar que o estádio nasceria em Montes Claros, mas sim pela força do esporte local. A cidade ainda vivia o apogeu do seu futebol, cuja época de ouro teve início na década de 50. Para homenagear esses eternos nostálgicos citados há pouco, lembremos dos tradicionais Cassimiro de Abreu, Ateneu, Tiradentes, Ipê, Ferroviário, Bahia e Industrial, que se enfrentavam de igual para igual, com campos abarrotados mesmo se tratando de clubes amadores. Isso sem contar os diversos times da várzea, como Coroinha, Retífica União, Flamenguinho, Vera Cruz e outros mais que de coadjuvantes não tinham nada.

O MAIS RECENTE

Passado tanto tempo e história, ainda não sabemos qual será o final da novela. Resgatando a história mais recente, em meados dos anos 90, o projeto foi abraçado pelo Ministério do Esporte e ampliado para uma Vila Olímpica com estádio, piscina, pista de atletismo, vestiários, quadras e alojamentos. A verba anunciada (e liberada em uma primeira parcela) teria com uma contrapartida do município, sendo que, à época, por conta própria, a prefeitura resolveu ampliar o aterro que receberia a arquibancada ovalada, acreditando que sua parte nas despesas permaneceria a mesma, acreditando que o governo assumiria a majoração dos custos.

DURANTE E DEPOIS DO BLOQUEIO

Interpretações daqui e dali, de gente que entende do negócio, deixaram evidente que a ampliação de uma coisa que ainda nem existia – e sem dinheiro para tal –, seria utopia demais. O projeto foi revisto já na última gestão municipal e reduzido com o aval do Ministério do Esporte para apenas o estádio de futebol, com arquibancada ‘meia lua’ e a pista. Mesmo assim, empacou. A bola da vez foi a discordância do Tribunal de Contas e da Controladoria Geral, ambos da União, que não concordaram com os custos do volume de terra para a ampliação da área de base das arquibancadas em forma oval – há pouco mais de 10 anos. Bloquearam então a parte liberada pela União.

ENFIM...

Mas a prefeitura de hoje garante que o dinheiro que estava bloqueado na conta da Caixa por conta do TCU e da CGU foi liberado. Mas para usá-lo e tirar o estádio na maquete (abaixo) mostrada à imprensa para a cratera do bairro Delfino Magalhães será preciso depositar a contrapartida. Consta que na primeira etapa do projeto básico, com arquibancada para oito mil pessoas e a pista. Nas etapas vindouras, o restante dos lugares. Foto de Fábio Marçal.



SEMANA ESPECIAL

A Semana Municipal da Deficiência – que na verdade, deveria ser um evento anual - tem o seu capítulo esportivo nesta sexta-feira. A partir das oito horas, cerca de 150 crianças, jovens e adultos, da Apae e de outras escolas, fazem uma visita à sede da Associação Desportiva Classista Matsulfur (ADCM), conhecida também como o clube da Fábrica de Cimento.



GIOVANNI OU ARANHA?

O jornalista Giovanni Ribeiro, atleticano de carteirinha e dublê do time da imprensa de Montes Claros - quando ele existia -, comemora mais um aniversário amanhã. Correspondente da rede Itatiaia BH por vários anos, é para muitos clone do goleiro Aranha do seu time do coração. Abraços companheiro.
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Christiano Jilvan

Jornalista com quase 20 anos de profissão. Foi repórter e subeditor do Jornal de Notícias por mais de uma década, além de freelancer para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Estado de Minas e O Tempo. Colaborador para as TVs Geraes, Canal 20 e InterTV e Rádios Terra AM e Transamérica FM.

1 comentários:

Margareth Dumont disse...

Em tempos de tarado, a história do Mocão ressurge para cutucar a memória dos esquecidos. Adorei a sua pesquisa e desejo convidá-lo para seguir o meu BLOG htt://bastidoresdahistoria.blosspot.com
Abraços